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O chef Kiko pegou na ração da Marinha e fez três pratos gourmet

De latas de cavala e atum, bolachas, rebuçados peitorais e sumo de maçã foi possível fazer reduções e crocantes com muito bom ar.

Conseguiu fazer três pratos gourmet.

Às nove da manhã fomos ter com a Tenente Patrícia Espanhol aos serviços da Marinha portuguesa na Rua do Arsenal, em Lisboa. Estava à nossa espera com uma ração individual de combate, menu número 3. O desafio era simples: queríamos que um chef desse um toque gourmet à ração, fizesse uma refeição usando apenas o que os militares recebem.

Em poucos dias tivemos uma resposta positiva. Assim que chegasse a refeição marcávamos dia para a irmos levantar. O dia finalmente chegou e às 10 horas já tinhamos o chef Kiko Martins ansioso por receber a ração. O chef aceitou o desafio da NiT e fomos ter com ele à cozinha d’O Watt, o novo restaurante que abriu em Lisboa, no edifício da EDP, no Cais do Sodré.

O chef não sabia o que componha a ração e só podia cozinhar com o que encontrasse lá dentro. “Os militares têm muitas coisas, estão com sorte”, referiu assim que tirou tudo de dentro do pacote. Assim que viu os ingredientes na mesa imaginou logo três pratos.

“Consigo fazer uma entrada, um prato principal e uma sobremesa.”

A Marinha forneceu-nos a ementa 3 — existem outras quatro, uma delas vegetariana — que era composta por:

— Café solúvel 2 gramas

— Bolachas doces 125 gramas

— Compota de pêssego, 2 caixas de 20 gramas

— borrego com vegetais 400 gramas

—fruta extrusionada (maçã) 15 gramas

— 1 lata de atum em óleo

— 1 lata de cavala em óleo

— bolachas de água e sal 125 gramas

— barra de chocolate 25 gramas

— açúcar, 2 pacotes de 8 gramas

— 1 pacote de sumo de maçã

— sal, quatro pacotes de 1 grama

— 2 pastilhas

— 4 rebuçados peitorais

No saco de 2,1 kg ainda havia lugar para comprimidos de purificação da água, guardanapos, talheres, saco para lixo, aquecedor sem chama e toalhetes húmidos. No total tem 3233 calorias e é a ração para um dia — no folheto informativo até está assinalado o que deve ser comido ao pequeno-almoço, almoço e lanche.

“Gustavo, toma borrego para o teu almoço. Só vou usar o atum, a cavala e o frango”, disse mal chegou à cozinha, entregando ao ajudante a embalagem do borrego com vegetais que vinha no pacote da ração. Da lista deixou apenas de fora as pastilhas. Sim, até os rebuçados peitorais usou. Levou tudo para a cozinha, pediu a um dos ajudantes alguns utensílios e começou a cozinhar.

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