Viagens

Ryanair recusa voar com assentos vazios e medidas de distanciamento

O presidente da low cost avisa que o modelo de negócio fica em causa com as regras "idiotas" que estão a ser pensadas.
Antes era assim.

As companhias aéreas sofreram um dos maiores embates da pandemia do novo coronavírus, estando agora a ser, como em tantos outros setores, pensados modelos para o regresso à atividade. Mas o presidente da Ryanair avisou esta quinta-feira, 23 de abril, que a low cost irlandesa não voltará aos voos se tiver de deixar os lugares do meio da fila vazios — para manter as distâncias de seguranças por causa da Covid-19.

Numa entrevista ao Financial Times (edição de subscritores) citada pela Lusa, Michael O’Leary frisa que já avisou o governo irlandês de que, se planear introduzir tais regras, “ou paga pelo assento do meio” ou a companhia não voará, garantindo: “Não podemos ganhar dinheiro com uma taxa de ocupação de 66%”.

Segundo o responsável, deixar os assentos do meio desocupados não garante distância suficiente e “é uma ideia idiota que não leva a nada”.

A companhia tem 99% dos aviões parados devido à quase total interrupção do tráfego aéreo a nível mundial, estando a perder lucros. De acordo com o “DN“, o organismo da indústria aérea mundial, IATA, prevê enormes consequências para as companhias aéreas devido à pandemia; e já admitiu que qualquer regra criada para minimizar o contágio nos aviões acabará temporariamente com o modelo de viagens aéreas baratas, forçando as transportadoras a aumentar os preços ou a falir.

O presidente da Ryanair acredita que as companhias aéreas europeias deveriam pensar noutras medidas de segurança, como os passageiros terem de usar máscaras ou verificar a temperatura nos aeroportos, o que estará a ser feito na Ásia. A sua posição surge depois de a concorrente EasyJet ter admitido na semana passada a possibilidade de deixar os assentos do meio vazios, numa primeira fase de retoma de voos.

A EasyJet já anunciou que garantiu dinheiro suficiente para uma imobilização, mesmo que esta dure nove meses, o que lhe custaria três mil milhões de libras (cerca de 3,4 mil milhões de euros) em liquidez.

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