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Pólo Sul está a aquecer três vezes mais depressa do que o resto do planeta

A conclusão é de um estudo realizado na Nova Zelândia, que analisa ao pormenor as temperaturas registadas nos últimos 30 anos.
Aquece a uma taxa de 0,6° C por década.

De acordo com um novo estudo, publicado na revista Nature Climate Change e divulgado esta segunda-feira, 29 de junho, pela agência de notícias francesa AFP, o Pólo Sul aqueceu três vezes mais rápido que o resto do planeta nos últimos 30 anos devido às temperaturas mais quentes do oceano tropical.

A conclusão foi partilhada por vários investigadores da Nova Zelândia, Grã-Bretanha e Estados Unidos, que analisaram 60 anos de dados de estações meteorológicas e usaram o método da modelagem computacional para perceber melhor o que estava a causar este aquecimento acelerado. 

Durante muitos anos, pensava-se que o Pólo Sul permanecia com temperaturas frias mesmo quando o resto do continente aquecia. Porém, estes investigadores descobriram que as temperaturas mais quentes do oceano no Pacífico ocidental têm feito diminuir, ao longo das décadas, a pressão atmosférica sobre o mar de Weddell, no sul do Atlântico.

Isto fez com que aumentasse o fluxo de ar quente diretamente sobre o Pólo Sul — aquecendo-o em mais de 1,83 graus desde 1989. Assim, a tendência de aquecimento natural foi, muito provavelmente, impulsionada pelas emissões de gases de efeito estufa provocadas pelo ser humano.

Kyle Clem, investigador da Universidade Victoria de Wellington, na Nova Zelândia, e principal autor deste estudo, disse à AFP que “enquanto se sabia que as temperaturas estavam a aquecer na Antártica Ocidental e na Península Antártica durante o século 20, o Pólo Sul estava a arrefecer. Suspeitava-se que esta parte da Antártica pudesse estar imune ou isolada do aquecimento. Descobrimos que não é o caso”.

Depois de cuidadosamente analisados, os dados mostraram que o Pólo Sul está agora a aquecer a uma taxa de cerca de 0,6 graus por década, comparado com cerca de 0,2 graus no resto do planeta Terra.

A este fenómeno, os investigadores chamam Interdecadal Pacific Oscillation (IPO). O ciclo de IPO dura aproximadamente 15 a 30 anos e alterna entre um estado positivo — no qual o Pacífico tropical é mais quente e o norte do Pacífico é mais frio que a média — e um estado negativo, onde a anomalia de temperatura é revertida.

Desta vez, o IPO caiu para um ciclo negativo no início do século, gerando maior convecção e mais extremos de pressão em altas latitudes, levando a um forte fluxo de ar quente sobre o Pólo Sul.

Kyle Clem afirmou que o nível de aquecimento de 1,83 graus excedia 99,99 por cento todas as tendências de aquecimento modeladas para estes 30 anos. “Embora o aquecimento esteja dentro da variabilidade natural dos modelos climáticos, é altamente provável que a atividade humana tenha contribuído”.

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