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Os vencedores do Concurso Gap Year Portugal são namorados e vão à América do Sul

Mariana e Amaru, de Coimbra, vão partir numa aventura de quase oito meses com uma bolsa monetária.
Mariana e Amaru no Loch Ness, na Escócia.

É uma altura única e especial na vida de cada um, e pode ser aproveitada de forma incrível — neste caso, épica. Para quem anda há anos a planear o seu Gap Year — aquele ano em que tudo fica em pausa e a prioridade é alargar horizontes e descobrir o mundo — a Gap Year Portugal lança todos os anos concursos que podem mudar tudo: a organização paga tudo a quem quiser parar por um ano e partir em viagem. Só precisa de se candidatar.

Este ano, já são conhecidos os dois sortudos que conseguiram o sonho. Mariana e Amaru são namorados, naturais de Coimbra, e são os grandes vencedores da 6ª edição do Gap Year Portugal com o projeto A Ver Vamos. Juntos vão partir numa aventura de oito meses pela América do Sul, mais especificamente pela Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, e vão integrar vários projetos de voluntariado e work exchange.

Segundo adianta a organização à NiT, Mariana Garrido, de 24 anos, é estudante de Mestrado Internacional Erasmus Mundus em Segurança, Intelligence e Estudos Estratégicos. Recorda-se de ter ouvido falar no Concurso Gap Year Portugal nos seus primórdios, em 2015, mas nunca teve tempo, dinheiro, nem a companhia certa para o fazer. O destino estava escolhido desde o princípio, frisa esta entidade: sabia que, se tivesse a oportunidade, iria para a América Latina.

Amaru Mestas, 27 anos, estudante de Mestrado em Gestão, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra é filho de pais peruanos e sentiu que esta poderia ser a oportunidade de conhecer as histórias e a cultura dos seus antepassados e, assim, regressar ao outro país ao qual pode chamar casa.

Naturais de Coimbra, os dois jovens conheceram-se em 2013, na Universidade de Coimbra, no curso de Relações Internacionais, mas só anos mais tarde passariam de colegas a namorados. Este ano, com um pé na República Checa e outro em Portugal, decidiram que era o momento ideal para se candidatarem. “Não queríamos dar o salto definitivo para o mundo laboral sem primeiro tirar um pouco para reflexão e nos tornarmos seres humanos melhores”, explicam.

A Ver Vamos é o nome do projeto da Mariana e do Amaru e foi, diz a organização, “escolhido a dedo”: durante oito meses, os jovens  vão passar por quatro países — Colômbia, Equador, Peru e Bolívia —, onde vão integrar vários projetos de voluntariado e work exchange nas áreas da educação, igualdade de género, redução de desigualdades, produção e consumo sustentáveis, proteção de biodiversidade, combate à crise climática, e promoção e manutenção da paz.

A data prevista de partida é 27 de dezembro, sujeita a alterações devido à pandemia da Covid -19. Os vencedores, a Gap Year Portugal e a Fundação Lapa do Lobo garantem “estar a acompanhar os desenvolvimentos e as recomendações da Organização Mundial de Saúde e de outras entidades competentes”.

Mariana e Amaru em Madrid, Espanha.

Como funciona o concurso

O projeto A Ver Vamos vem no seguimento da 6ª edição do Concurso Gap Year Portugal, em parceria com a Fundação Lapa do Lobo, que oferece uma bolsa até 6.500€ para a realização de um gap year.

Desde há seis que isto acontece e há apenas algumas regras base: os candidatos têm de ter o ensino secundário concluído — ou acabá-lo este ano. Quem já terminou a faculdade, também não faz mal. Até aos 27 anos, pode tirar um ano sabático e nem precisa de ir sozinho, o Gap Year financia um ou dois viajantes. Uma candidatura individual recebe 5000€, mas se forem dois jovens a candidatar-se, o valor sobe até aos 6500€.

A organização explica à NiT que o o concurso Gap Year Portugal pretende que os portugueses possam considerar um percurso fora da caixa. No fundo, aproveitar o ano entre estudos, ou entre o final dos estudos e o início do mercado de trabalho, como um período de reflexão e desenvolvimento pessoal — para o qual experiências como viajar, fazer voluntariado, estagiar ou até mesmo experimentar cursos na faculdade são cruciais.

A Gap Year Portugal é uma associação sem fins lucrativos que pretende usar o ano sabático para o desenvolvimento académico, pessoal e profissional e inovar o ensino em Portugal. A entidade lembra que a entrada da faculdade é sempre uma altura complicada para um jovem: segundo dados da Direção-Geral do Ensino Superior, um em cada cinco alunos desistem ou mudam de curso ao fim de um ano.

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