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Nova Iorque vive invasão histórica de ratos e a situação está a ficar descontrolada

Os especialistas culpam as obras e construção de edifícios. O mayor declarou guerra à praga, mas a luta parece difícil.
As ruas estão infestadas.

Nova Iorque sempre teve um problema com ratos e com outras espécies infestantes, como as baratas. Rodeada de água, com uma densidade populacional elevadíssima, uma produção excecional de lixo, um clima quente no verão e húmido no inverno, é um paraíso para estas pragas. Basta procurarmos na memória cinematográfica e televisiva para perceber a constante situação, alvo até de piadas em séries como “Friends” — Phoebe tinha um rato de estimação —, ou “Foi Assim que Aconteceu“, onde uma barata-rato gigante atormenta as personagens. Mas há dezenas de outros exemplos.

Só que o problema, ainda que histórico, parece estar cada vez pior. E isto apesar de o mayor da cidade o ter antevisto e ter declarado guerra aos ratos em 2017. Diz a “Forbes“, num artigo publicado no final do passado mês de maio, que um telefonema da autoridade máxima da cidade feito então aos seus serviços, exigia “mais cadáveres de ratos”, enquanto disponibilizava 30 milhões de euros para esta luta.

A cidade aumentou as recolhas de lixo, instalou caixas de compactação de resíduos movidas a energia solar, latas de aço resistentes a ratos e utilizou gelo seco para sufocar os ratos nos esgotos.

Mas, depois de caírem no ano passado, os avistamentos de ratos estão novamente a subir. Porque estará então a luta aparentemente a ser perdida? Segundo o “The New York Times“, um dos principais motivos é gentrificação, ou seja, mudanças constantes na estrutura da cidade. Um novo boom de construção civil implica buracos e mexidas constantes, forçando mais ratos a sair, aumentando as queixas. 

De acordo com o jornal, os avistamentos de ratos reportados à linha telefónica 311, própria para queixas, subiram quase 38 por cento para 17,353 no ano passado, face aos 12,617 registados em 2014, de acordo com uma análise dos dados da cidade pelo OpenTheBooks.com

No mesmo período, o número de vezes que as inspeções de saúde da cidade encontraram sinais ativos de ratos quase dobrou. Além das obras, os invernos mais suaves nas temperaturas, a crescente população e turismo de Nova Iorque terão contribuído para o aumento da praga. Os avistamentos já acontecem nas zonas mais ricas da cidade, além dos outros bairros, com destaque para Brooklyn. Os ratos, dizem algumas queixas, circulam de dia em muitos locais e estarão cada vez maiores.

E o problema, conclui o jornal, já chegou também a Filadélfia, Chicago, Washington e Los Angeles. O caso é sempre semelhante nas grandes cidades e tem muito a ver com o lixo na rua: por mais que se tente recolher, ele é produzido a uma escala alucinante e isso traduz-se num festim para os animais. Cientistas e especialistas em pragas falam nos possíveis perigos para a saúde pública e temem que o problema nunca seja totalmente resolvido. Não enquanto o lixo ficar horas na rua, antes de ser recolhido.

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