Viagens

Na ilha onde há mais gatos do que pessoas os animais não são felizes

Foi a esta conclusão que chegou Andrew Marttila, que se deslocou de propósito à região para fotografar os felinos.

Os animais estão doentes, mas os locais não querem intervir.

Chama-se Aoshima, é conhecida como o Paraíso dos Gatos e é uma pequena ilha com apenas 49 hectares da província de Ehime, no Japão. Poderia ser uma região igual a tantas outras, não fosse habitada por mais gatos do que pessoas — a proporção está nos seis gatos por cada humano, uma vez que a ilha tem apenas 20 pessoas e aproximadamente 120 gatos.

Andrew Marttila decidiu que iria visitar Aoshima assim que ouviu falar da região. Como fotógrafo de felinos e fundador de um grupo de resgate de gatos, a viagem fazia todo o sentido. Assim foi. O autor da página The Great Went Pet Photography, e que também é conhecido por fotografar animais de celebridades, viajou para o Paraíso dos Gatos em novembro do ano passado.

Não foi sozinho: a namorada Hannah Shaw acompanhou-o na viagem, e mais tarde escreveu um texto a relatar o que achou da viagem do ponto de vista de uma ativista. As fotos e a descrição dela tornaram-se agora virais.

“Para nós, amantes de gatos, há algo de muito especial numa área que serve de ninho a dúzias de felinos”, explicou Andrew Marttila ao “The Huffington Post”. “O que ninguém vê, porém, é que todos estes gatos e crias estão a sofrer com doenças que têm tratamento.”

O que é que se está a passar no Paraíso dos Gatos? Segundo o casal norte-americano, a ilha tornou-se num local turístico. Os gatos recebem imensa comida, continuam a multiplicar-se, no entanto estão cheios de doenças. Isto acontece porque, bem, as pessoas até gostam de viajar para os ver. Tiram umas fotos giras, sentem-se bem quando lhes dão comida, com sorte ainda lhes pegam ao colo.

Mas é só isto. Quando os turistas se vão embora, os animais continuam na rua — sem vacinas, tratamentos ou ajuda de qualquer tipo.

“Aproximadamente um terço dos gatos eram crias a debaterem-se com infeções respiratórias que não estavam a ser tratadas”, escreveu Hannah Shaw no site “Paw Culture”

“A minha namorada e eu apercebemo-nos demasiado rápido que a ilha não era só sóis e arco-íris. Muitos dos gatos sofriam com infeções e, mais importante do que isso, nenhum deles estava castrado ou esterilizado.”

O problema de excesso de população é evidente. E isso torna-se particularmente grave quando há tantos animais doentes.

“Aproximadamente um terço dos gatos eram crias a debaterem-se com infeções respiratórias que não estavam a ser tratadas”, escreveu Hannah Shaw no site “Paw Culture”. “Os olhos e os narizes cheios de crostas, os gatinhos amontoados no pavimento morno da única estrada da ilha, muitos a esforçarem-se para conseguir respirar.”

Segundo este casal, os moradores de Aoshima nunca esperaram ver a sua pequena ilha transformada num destino turístico. Portanto, também não parecem muito preocupados em investir no tratamento e esterilização da comunidade felina.

“A sua perspetiva, resumida para mim por um local, é que é melhor não intervir com a natureza — é preferível permitir que a população [felina] diminua através da doença, fome e elevada mortalidade das crias. A comunidade preferiu adoptar uma atitude de não-intervenção, pedindo aos visitantes que não interfiram com apoio médico ou alimento para os animais.”

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