Viagens

Especialistas asseguram que viajar com os miúdos estimula o desenvolvimento

Vários investigadores referem que crianças e viagens são uma boa combinação: em termos de empatia, de cultura e de linguagem.
Experiências únicas.

Ninguém disse que era fácil, mas é certamente recompensador. Ao levar os miúdos consigo nas suas viagens, cria memórias e experiências partilhadas, estreita laços, vive momentos irrepetíveis — e isto era o que já se sabia. O que alguns especialistas vieram agora afirmar é que as crianças e viagens são uma boa combinação, mesmo em termos de empatia, de cultura, de linguagem e até de desenvolvimento.

A revista norte-americana “Travel + Leisure” cita vários responsáveis que defendem esta teoria. A doutora Robin Hancock, especialista global em educação do Bank Street College, defendeu, em declarações aquela publicação, que “viajar tem o potencial de criar uma nova narrativa que ensina às crianças as semelhanças com os outros e estabelece uma base sólida, principalmente nos primeiros anos”. “Temos o potencial de criar uma geração que saiba viver e conviver com entre si”, frisou.

Segundo a responsável, ao partir pelo mundo os miúdos começam a aprender as ferramentas para o desenvolvimento de relacionamentos desde tenra idade. E aprendem também a aceitar as diferenças, de forma natural.

A médica defende que os miúdos podem até não se lembrar das suas viagens e aventuras, mas isto não quer dizer que estas não tenham impacto o seu desenvolvimento: segundo a especialista, o cérebro desenvolve-se mais rapidamente nos primeiros cinco anos da vida de uma criança, com destaque para os primeiros três, sendo as experiências vividas nesta fase importantes.

“Viajar e educar as crianças sobre os seus papéis como cidadãos do mundo quando são novos garante que elas reterão essa mensagem até a idade adulta”, frisou.

“Quando alguém começa um hábito ou uma tradição muito cedo, este torna-se o fundamento através do qual ele vê o mundo para o resto da vida”, adianta. Ao regressar das aventuras, até na escola as experiências podem ajudar as crianças, tornando-as mais abertas a coisas novas e menos resguardadas com novidades e diferenças — e criando um ciclo de maior abertura e maior potencial de desenvolvimento.

Outra especialista, em ciências da comunicação e distúrbios no Teachers College da Columbia University, defendeu ainda que viajar com miúdos muito pequenos, mesmo a partir dos seis meses, também os pode ajudar no desenvolvimento linguístico. Segundo a professora Erika Levy, ao conhecerem numa idade precoce os vários sons, eles vão manter essas categorias numa fase posterior, em que a facilidade não é tanta. 

Para maximizar o impacto positivo das viagens nos miúdos — e também melhorar a experiência, tanto para pais como para filhos — os especialistas dão mesmo alguns conselhos: como por exemplo, passear por um bairro local no seu destino, para que a criança sinta ligação e encontre pelo menos um sítio menos turístico e que consiga relacionar com casa — porém com culturas e vivências diferentes.

É também aconselhado que crie, por exemplo, uma tradição de férias, como algo para coleccionar ou para ajudar a preservar a experiência. E que estimule o contacto com outros miúdos, de outros países, mesmo que não falem a mesma língua.

Recentemente, a NiT contou-lhe a história de Magno, um miúdo português de seis anos que já conheceu 56 países. Em entrevista, os pais explicaram então que o rapaz já fala quatro línguas e parece ter “a absoluta inexistência de qualquer conceito de diferença entre os seres humanos”. Pode conhecer a história desta família — e as dicas dos pais de Magno sobre como viajar com crianças — na reportagem

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