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Devido à crise no turismo, mais de mil elefantes na Tailândia podem passar fome

A falta de turistas devido ao surto do novo coronavírus está a criar custos de manutenção que se tornam incomportáveis.
Há a possibilidade de abandono dos animais.

Já não há dúvidas que o setor do turismo é – e vai ser durante algum tempo – um dos mais afetados pela pandemia mundial do novo coronavírus. Na Tailândia, por exemplo, a falta de turistas pode deixar à fome cerca de mil elefantes domesticados. Esta é a conclusão da Fundação Save The Elephant perante o surto de Covid-19.

Desde que o surto chegou ao país, os campos onde os turistas costumam fazer passeios de elefantes, alimentam-nos ou dão-lhes banho, viram-se obrigados a fechar portas. Os proprietários podem, por isso, ter muitas dificuldades em alimentar os animais. 

A verdade é que os custos gerais de manutenção dos animais, agora sem o dinheiro dos turistas, tornam-se incomportáveis. É que nos campos, além dos elefantes, é preciso pagar salários a todas as pessoas que lá trabalham.

No Tree Tops Elephant Reserve, em Phuket, os animais podem vaguear livremente por todo o recinto durante o dia. O campo viu-se obrigado a encerrar as visitas de turistas em março e por tempo indeterminado. “Acho que em breve todos os campos começarão a sentir dificuldades financeiras para encontrar comida para alimentar os elefantes e pagar às suas equipas”, disse Louise Rogerson, responsável pelo campo, em entrevista à “Sky News“.

De acordo com a coordenadora do Tree Tops Elephant Reserve, para alimentar um elefante é preciso cerca de 690€ por mês – “o que é uma quantia enorme de dinheiro quando não há rendimentos”.

Apesar dos elefantes poderem ser vistos a passear livremente na reserva, a ausência de turistas começa realmente a preocupar Louise Rogerson, sobretudo no que respeita ao bem-estar de todos os elefantes que estão certamente nas mesmas condições por toda a Tailândia. “Quase todos os campos que recebiam visitantes fecharam no início de fevereiro e é provável que na maioria desses lugares os animais estejam acorrentados 24 horas por dia”.

Lek Chailert, fundador da Save The Elephant, explica que “se não houver apoio governamental para manter os animais seguros, eles (alguns dos quais à espera de crias) acabarão por morrer à fome”. Em alternativa, alguns podem ser vendidos a jardins zoológicos e outros podem voltar a ser utilizados em trabalhos forçados de abate e transporte de árvores. “É uma perspetiva muito sombria, a menos que alguma ajuda financeira seja recebida imediatamente”.

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