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As ruas de Amesterdão estão a ficar sem carros — e já se nota o sucesso

Cidade holandesa quer eliminar 10 mil lugares de estacionamento. Um novo vídeo mostra como está a ser feito "sem dramas".
Mais bicicletas e menos carros.

Amesterdão está a arrumar a casa. Depois de anos de invasão turística, crescimento desordenado, alojamento local a substituir os residentes, não param de surgir medidas para devolver as ruas aos cidadãos e criar uma cidade mais limpa, ordenada e amiga do ambiente.

Desde o ano passado foram implementadas restrições ao alojamento local; foi anunciado que as campanhas de promoção turística ficariam em suspenso; foram criadas regras de limitação do botellon (beber nas ruas), e de grupos guiados à Red Light District; foram criadas taxas de dormida e de cruzeiros. Até a famosa placa “I Amsterdam”, colocada junto ao Rijksmuseum, foi retirada por atrair demasiados turistas e representar a massificação da cidade holandesa.

Isto tudo é para controlar o turismo desenfreado — não impedi-lo ou proibi-lo. E depois vieram as medidas ambientais. Sendo já sabido, estatisticamente, que em Amesterdão há mais bicicletas do que pessoas, as autoridades não acharam isto suficiente e anunciaram, em maio, uma nova medida: as vagas de estacionamento para carros no centro da cidade vão ser drasticamente reduzidas.

O plano consiste em não renovar as autorizações de estacionamento no centro, já a partir deste verão. Como é obrigatório o pedido de permissão para estacionar o carro no meio da cidade, ao reduzir as licenças numa taxa de 1500 por ano (o valor esperado), é antecipada uma diminuição significativa do número de automóveis que entram nessa zona.

Por detrás do conceito está o impacto negativo que os carros têm sobre as pessoas e o meio ambiente, explica a autarquia. “Amesterdão procura ser uma cidade acessível e habitável”, lê-se num comunicado no site oficial da cidade.

“Com espaço para vegetação, ar puro e espaço público seguro”, adianta. E é exatamente isso que vai acontecer nos lugares de estacionamento desativados — esse espaço será usado para ampliar as calçadas, adicionar mais ciclovias e plantar novas árvores.

A medida pretende ainda acabar totalmente com os locais de estacionamento perto do cais, onde estão previstas obras de reestruturação, e em ruas que vão ser recuperadas. No total, espera-se que haja menos 11 mil vagas para estacionar até ao final de 2025. Além disso, os moradores com permissão de estacionamento no centro da cidade não podem mais deixar os seus veículos onde quiserem; em vez disso, terão que pagar uma taxa mais alta por um local específico.

Agora, um canal que se dedica a fazer curtas-metragens sobre como o design e a política de transporte inteligente podem resultar em melhores cidades para se viver, fez um vídeo onde mostra como está a ser feita a transição.

Segundo a peça da Streetfilms.org, os visitantes e moradores locais vão poder absorver mais dos icónicos canais, pontes e arquitetura triangular da cidade, com menos veículos a tapar a vista. As ruas “são suas novamente”, diz Katelijne Boerma, a prefeita oficial de bicicletas da cidade holandesa, no filme.

Segundo adianta o site dedicado a metrópoles internacionais, “Citylab“, algumas comunidades dentro da cidade já começaram a repensar o seu espaço ao ar livre recém-libertado. No bairro de Frans Halsbuurt, uma zona inteira de ruas está quase totalmente livre de estacionamento, substituído por um bando de roseiras, bancos e escorregas. Há também mais espaço para bicicletas, que já são usadas em média para 65 por cento das viagens diárias dentro da cidade.

O mesmo filme mostra Zeeger Ernsting, um vereador que ajudou a liderar a iniciativa, a explicar que as novidades nem estão a ter grande resistência por parte dos automobilistas. Ainda há lugares de estacionamento para o essencial, e além disso, a maioria dos residentes em Amesterdão já mal usava o carro, conclui.

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