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A Antártida é o único continente do mundo livre de coronavírus

Esta zona apenas é povoada por cientistas por curtos períodos de tempo.
A Antártida não tem população nativa.

Vivem-se tempos de exceção em que uma das características é um fator comum a quase todos os países, algo que nunca aconteceu nos últimos anos. Falamos do novo coronavírus, que fechou casas e países, interrompeu quotidianos e abraços.

No continente mais frio do planeta, tudo isto passou, por enquanto, ao lado. É que na Antártida não existe um único caso de infeção de Covi-19, sendo este o único continente a registar tal facto.

E porquê? Sobretudo porque a Antártida não tem população nativa oficial e a maioria das pessoas que reside no continente, 4400, são cientistas e investigadores que se encontram lá por períodos de tempo.

Kelly Hogan, uma cientista inglesa de 41 anos, é um desses casos. Viajou em trabalho para a Antártida no final de janeiro, quando o coronavírus tinha feito apenas 20 vítimas mortais na China, e não apresentava ainda um perigo maior nem global.

A geologista e geofísica ficou retida ao fim de dois meses de expedição por causa do coronavírus e explicou ao “FT” as medidas tomadas pelos 100 cientistas que vivem em Rothera.

De acordo com Hogan, uma boa higiene faz já parte da vida destes profissionais, uma vez que qualquer virose pode ser perigosa em isolamento. As estações de desinfeção aumentaram, e as novas chegadas foram limitadas.

Rachael Robertson, australiana que liderou uma expedição ao mesmo continente em 2005, está também familiarizada com o isolamento naquela região. Ao todo, ela e a sua equipa de 18 pessoas, estiveram isolados durante nove meses por causa do trabalho naquele ano.

“Apesar do clima ser duro — 35 graus negativos e nevões — foi a pressão interpessoal que foi o mais difícil, uma vez que experienciámos ansiedade, aborrecimento e falta de privacidade. A nossa situação atual no mundo é semelhante, pois estamos fechados em casa, isolados das famílias, e amigos e rotinas habituais”, revela ao “Real Leaders”.

Robertson criou, por isso, um conjunto de dicas para ajudar a passar da melhor forma a quarentena com aqueles com quem se vive.

Escolha cuidadosamente as suas palavras, mantenha uma linguagem corporal calma, comunique de forma clara e regular, e intervenha o mais rápido possível sobre problemas que possam surgir, são algumas das dicas.

Já no dia 3 de abril, a Antártida foi notícia por outro assunto bem distinto. Um grupo de investigadores encontrou evidências de que há 90 milhões de anos atrás, o continente foi palco de uma floresta densa, e repleta de vida animal diversa, comparada às florestas atuais na Nova Zelândia.

A descoberta partiu de raízes encontradas na região. Foram encontrados vestígios bem preservados com traços de pólen, esporos e resíduos de flores, da época em que as temperaturas eram bastante mais elevadas naquele continente.

As expedições feitas àquele continente irão sofrer alterações, apesar de, por enquanto, o vírus não ter chegado à Antártida. O verão no continente acontece entre outubro e fevereiro e é a altura mais procurada por cientistas, uma vez que o clima dá mais tréguas.

A Austrália, por exemplo, só irá deixar partir quem vá em trabalho absolutamente essencial, tendo todos os outros projetos de ser suspensos no verão de 2020/2021.

“Vamo-nos focar em reabastecer as nossas estações e trocar as equipas. Porém, não haverá construções e os projetos científicos irão ser limitados à coleção de dados automáticos. Os projetos que requerem o deslocamento de cientistas ou logística fora das atividades essenciais serão avaliados no futuro”, referiu Kim Ellis da divisão australiana da Antártida no dia 6 de abril.

Na terça-feira, 7 de abril, o continente mais frio do planeta voltou a ser notícia. Um cruzeiro com destino à Antártida, que partia do Uruguai, registou mais de 60 por cento de infetados a bordo.

A maioria dos passageiros são da Austrália, Europa e Estados Unidos. Das 217 pessoas, 128 testaram positivo para o novo coronavírus. “Atualmente ninguém tem febre, todos os casos são assintomáticos”, referiu a operadora australiana Aurora Expeditions.

A viagem teve início no dia 15 março. Espera-se que até ao final da presente semana, todos os passageiros possam regressar aos seus países de origem para entrar em quarentena.

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