Viagens

Amesterdão proíbe Airbnb no centro histórico a partir desta quarta-feira

Acaba o alojamento local em três distritos. Mesmo nos outros bairros, só com autorização especial e 30 dias por ano.
A cidade vai mudar.

Depois da pandemia e da paragem, chegam as mudanças. Da cidade de Amesterdão já vinham notícias e promessas de que, neste novo mundo que ressurgirá da crise sanitária e social da Covid-19, a aposta iria mudar, focando-se agora numa metrópole com “turismo de qualidade”.

O primeiro passo já foi dado: depois de, nos últimos anos, limitar as licenças de Airbnb, a cidade holandesa que recebe milhões de turistas todos os anos proibiu mesmo o alojamento local no centro histórico, que é património mundial da UNESCO.

Da próxima vez que visitar os canais de Amesterdão, já não vai conseguir este tipo de alojamento no centro. A partir desta quarta-feira, 1 de julho, a capital da Holanda não permite este tipo de aluguer e o uso destas plataformas em três dos seus distritos centrais, na cidade velha. Os distritos são Burgwallen-Oude Zijde, Burgwallen-Nieuwe Zijde e Grachtengordel-Zuid.

Mas há mais: nos restantes bairros da cidade, as casas que quiserem fazer parte deste tipo de plataformas vão ter de pedir uma uma permissão especial à administração local. Mesmo aqui, nos distritos onde o Airbnb ainda pode continuar, os anfitriões devem ainda enviar um relatório às autoridades municipais de cada vez que a sua casa é alugada. Além disso, é imposta a “regra dos 30 dias”: a casa só pode ser alugada por um período máximo de 30 dias ao longo do ano e para grupos de no máximo quatro pessoas.

Amesterdão já tinha prometido reflexões e mudanças profundas, a propósito da pandemia. Nos últimos anos, a cidade tem assistido a um boom turístico sem precedentes e o conselho local já tinha avançado que a aposta de futuro era em menos turismo, porém “turismo de qualidade”.

“1 em cada 15 casas em Amesterdão é alugada online e o fornecimento de casas nas várias plataformas aumentou cinco vezes, para cerca de 25.000 anúncios por mês”, diz um comunicado do município citado pela Reuters, onde se anuncia a proibição do centro e as novas medidas. “Devido a esse aumento, o aluguer turístico de residências tem um impacto cada vez mais negativo na qualidade de vida nos vários bairros de Amesterdão”, acrescenta.

O vice-prefeito Laurens Ivens. já terá admitido que a proibição pode espalhar-se no futuro para outras partes da cidade, embora tal não seja possível no momento, por questões legais.

O Airbnb já reagiu. Também citado pela Reuters, a empresa disse estar “profundamente preocupada com o facto de as propostas serem ilegais e violarem os direitos básicos dos residentes locais”.

“Continuamos ansiosos por trabalhar com Amesterdão para oferecer suporte a soluções de longo prazo na partilha de residências — em vez de correcções de curto prazo que são confusas e prejudiciais para residentes e pequenas empresas”, adiantou a plataforma.

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