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Águas da baía do Rio de Janeiro voltam a ter tartarugas por causa da quarentena

Com milhares de pessoas em casa, as águas da icónica baía de Guanabara que durante anos estiveram poluídas estão agora claras.
A baía de Guanabara.

Há novamente tartarugas na baía de Guanabara, uma das mais bonitas do mundo — e também uma das mais movimentadas normalmente, por embarcações de brasileiros e turistas, e por consequência poluída e contaminada. Tal como aconteceu noutros pontos do mundo, que com a contenção de milhares de pessoas em casa viram melhorias significativas no ar e água acompanhadas do regresso de animais, uma das situações mais problemáticas do Brasil em termos ambientais parece estar a melhorar com o confinamento.

A reclusão dos cidadãos no estado do Rio de Janeiro devido à pandemia do novo coronavírus ajudou a descontaminar as águas da icónica baía de que durante anos permaneceram poluídas e onde agora até tartarugas voltaram a marcar presença.

Segundo a Efe, citada pela “Lusa”, desde que o confinamento social começou a ser implementado na cidade maravilhosa, lugares que antes eram foco de grande poluição marinha, como a baía de Guanabara, que banha as praias da zona norte do Rio de Janeiro, ou as praias de Botafogo e Flamengo, têm agora as águas mais cristalinas.

Em Guanabara já são visíveis peixes e tartarugas a nadar nas suas águas, agora claras devido à diminuição do número de barcos. Segundo a capitania dos portos do Rio de Janeiro, Guanabara recebia mensalmente cerca de 250 embarcações de médio ou grande porte.

 Guanabara, uma das mais importantes baías do Brasil e um dos primeiros locais onde o navegador português Fernão de Magalhães aportou na América, sofre há largos anos com a questão da poluição que, além de ser proveniente de navios, é causada por águas residuais domésticas e industriais e pela falta de compromisso das autoridades governamentais, que prometem limpar as águas sem resultados visíveis até agora.

As águas claras que Fernão de Magalhães encontrou quando aportou na baía de Guanabara, em 13 de dezembro de 1519, aquando da sua viagem de circum-navegação ao serviço da coroa espanhola, deram lugar a uma enorme poluição, acumulada e ajudada por más políticas praticadas ao longo dos últimos anos, explicou à agência Lusa Lise Sedrez, especialista em história ambiental, em setembro passado.

Em 2016, a baía foi notícia em todo o mundo ao tornar-se numa das grandes polémicas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Isto porque havia provas náuticas e de vela marcadas para aquelas águas, porém o lixo e contaminação era claro e visível, levando atletas a expressar preocupação e a não querer participar em qualquer prova naquele local.

A situação de abuso e poluição também acontece com a praia de Botafogo, sede do clube de iates do Rio de Janeiro e uma das mais contaminadas da cidade, que tem agora um panorama completamente diferente. Embora o lixo ainda possa ser visto a flutuar nas águas, a poluição deixada pelo combustível dos barcos baixou com a descida do tráfego marítimo, tanto na baía, como na praia de Botafogo.

Até domingo, o Brasil contabilizava 16.118 óbitos e 241.080 casos confirmados de Covid-19.

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