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A melhor road trip de sempre passa pelos caminhos de “Big Little Lies”

Monterey, Carmel e Big Sur estão unidos por uma estrada junto ao mar. No final, até pode dormir na casa de Madeline Mackenzie.
Big Sur.

Além da história cheia de reviravoltas, da interpretação incrível de atrizes como Laura Dern e Meryl Streep e de trazer para o mundo um nome e uma música que já mereciam maior reconhecimento (Michael Kiwanuka e o seu “Cold Little Heart“), a série da HBO, “Big Little Lies“, trouxe outra coisa de positivo. Apresentou ao mundo uma estrada e uma rota que são mesmo das mais incríveis que pode fazer numa road trip. E eu sei do que falo, porque já a fiz.

Embora não seja exclusivamente filmada em Monterey — graças aos mais básicos truques de Hollywood, nem tudo é o que parece e há várias cenas gravadas num estúdio e em Los Angeles — é nesta magnifica cidade e baía da costa central da Califórnia que se passa a ação de “Big Little Lies”, que terminou agora a sua segunda temporada.

“As cinco de Monterey” — as personagens femininas principais da série — trouxeram atenção internacional para uma região e uma cidade que já tinham atributos mais do que suficientes para chamar turistas e visitantes: mas fora dos Estados Unidos da América, simplesmente ainda não eram assim tão conhecidas.

E de repente ali estão, logo no genérico original: aquelas estradas e costas sinuosas, aquelas rochas e ambientes bucólicos e com tanto mar. E todos quiseram saber onde era, muitos sem suspeitar que na base de tudo isto estava uma estrada histórica que passa por todos os pontos mais marcantes da costa da Califórnia.

Trata-se da Highway 1, ou The Pacific Coast Highway, e é uma das estradas mais bonitas do mundo. São quase mil quilómetros de paisagens arrebatadoras, a maioria das quais junto ao mar. A Estrada 1 começa um pouco acima de São Francisco, na costa da Califórnia, a norte (quase no Estado do Oregon); e termina um pouco abaixo de Los Angeles, a sul (a chegar já a San Diego). Mas a rota mais popular é mesmo entre São Francisco e Los Angeles, sendo também o troço mais próximo do mar.

Monterey.

Monterey surge a cerca de 180 quilómetros abaixo de São Francisco. É aqui que se passa a trama de “Big Little Lies” — e também foi aqui que a minha experiência pela mítica Estrada 1 começou.

Não estava nos meus planos sequer fazer esta estrada, pelo menos nos iniciais. Eu e dois amigos estávamos a fazer a Route 66, outra icónica estrada norte-americana que liga Chicago a Los Angeles, num percurso de três semanas. No nosso programa inicial, delineado ainda em casa, tínhamos dois desvios unânimes entre os três: o Grande Canyon e Las Vegas. E um terceiro possível, caso houvesse tempo e do qual eu era a mais fervorosa defensora: o Big Sur.

Conseguimos chegar a Las Vegas com dois dias de avanço face ao hotel que havíamos pré-reservado em Venice Beach, Los Angeles, o destino final da road trip. Foi aí que soube que tinha mesmo de ir ao Big Sur.

Fizemos um desvio que nos levou a Monterey, e depois à Estrada 1, até L.A. Demorámos um dia entre os dois destinos (Monterey e Los Angeles), que não é de todo o que aconselho, dada a variedade de coisas que há para ver e fazer. Mas foi ainda assim incrível e valeu cada minuto. É um sonho dos amantes de paisagens e praias: dezenas de areais semi-desertos, vilas pitorescas, escarpas rochosas e alucinantes. E claro, a trilogia Monterey-Big Sur-Los Angeles vale mesmo a pena.

Como se pode ver na produção, Monterey é uma cidade costeira, feita de escarpas rochosas e de casas e restaurantes mesmo em cima do mar. A Cannery Row, conhecida como centro mundial de embalagem de sardinhas em lata, ficou também famosa pelo livro de John Steinbeck com o mesmo nome. Agora é um lugar de passagem e visita para locais e turistas, com restaurantes e lojas. As fábricas de sardinhas em lata deram lugar a espaços da moda e bares, um pouco como aconteceu recentemente com as zonas fabris de Lisboa.

Lembro-me de Monterey assim.

Mas tudo ali é mar e o que vale mesmo a pena é estar junto do mar. Principalmente pela imensidão, absolutamente indescritível, de focas e leões marinhos. São às centenas, senão aos milhares, espalhados pelas rochas e costa de toda a cidade, rugindo frequentemente. É uma sensação permanente de estarmos num lugar perdido e parado no tempo, quase ártico — não num ponto turístico, em plena Califórnia, EUA.

É do que mais me lembro de Monterey: dos leões marinhos. Também espreitei o famoso Monterey Bay Aquarium, mas na verdade não precisa de lá ir para encontrar animais no seu habitat, basta ir em direção da costa. O Cais da Guarda Costeira, ao lado do Reeside Access Beach Park em Cannery Row, é um bom local.

A Old Fisherman’s Wharf merece outra visita: é aqui que encontra restaurantes e esplanadas com vista do porto, como aparece em alguns momentos da série. O mesmo acontece com o Lovers Point em Pacific Grove, uma praia com caiaque, surf e um pôr do sol incrível. A Praia Del Monte, onde Jane ou Shailene Woodley corre, é outra das minhas recomendações.

Depois, é só descer pela Estrada 1. Como referi, fiz tudo num dia, tudo um pouco a correr. Creio que ficámos menos de uma hora parados no Big Sur, a absorver a paisagem. E estava nublado, azar dos azares — ou dica kármica para lá voltar um dia, o que certamente farei.

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