Turismos Rurais e Hotéis

Hotéis do Algarve antecipam queda “enorme” de turistas devido à exclusão de corredor

Diretor de Operações da Minor Hotels explica à NiT a importância dos turistas britânicos e diz que toda a região vai sofrer.
Este é o Anantara Vilamoura.

Na passada semana, surgiu a confirmação sobre o que já se especulava: Portugal estava de fora do corredor turístico do Reino Unido. Devido a uma evolução menos positiva do número de casos de infetados pelo novo coronavírus no nosso País, e seguindo uma regra declaradamente matemática, quem vem do nosso País tem mesmo de fazer quarentena ao entrar no Reino Unido.

De imediato vieram as reações à decisão, desde governantes a empresários do turismo, lançando o debate sobre os motivos da exclusão, o seu fundamento e sobretudo as suas repercussões no turismo e economia nacionais. À NiT, fonte da Minor Hotels, cadeia que detém, entre outros, os hotéis Tivoli, explica agora o quão importante é, de facto, o embate.

“O facto de Portugal ter sido excluído de um “corredor” aéreo com o Reino Unido – que evita que os turistas sejam forçados a uma quarentena de 14 dias no regresso das férias – terá um enorme impacto não só na atividade dos seis hotéis do grupo no Algarve, mas também na economia da região”, começa por frisar Jorge Beldade, Diretor Regional de Operações do Algarve na Minor Hotels Portugal 

O Reino Unido representou em 2019, salienta, nada menos do que “45% dos nossos hóspedes e com este condicionalismo acredito que a procura será muito reduzida”, diz o responsável.

E adianta: “até ao momento, devido à pandemia de Covid-19, tivemos um decréscimo de reservas de viajantes oriundos do mercado britânico”. Com esta decisão, as unidades esperam agora “uma queda maior”.

Neste contexto, “o turismo de proximidade é estratégico para o grupo que aposta fortemente no mercado nacional, que representa a maior fatia do total de dormidas nas nossas unidades, e no mercado espanhol que significa uma enorme oportunidade agora que as fronteiras já estão abertas”, conclui o responsável.

A Tivoli Hotels & Resorts faz parte da Minor Hotels e gere hotéis em Portugal, no Brasil e no Qatar. Do grupo faz parte por exemplo, o Anantara Vilamoura Algarve Resort, o primeiro hotel Anantara na Europa.

Na passada sexta-feira, 3 de julho, soube-se que Portugal ficou fora da lista de países considerados seguros por parte das autoridades britânicas, uma decisão que aconteceu numa altura em que o Reino Unido é o país europeu mais afetado pelo novo coronavírus.

A lista de países que estão no corredor inclui mais de 50 nações, incluindo Itália, Espanha, França e Alemanha. O Reino Unido é o principal mercado de turistas para Portugal, com quase três milhões de visitantes a cada ano.

Os responsáveis britânicos, confrontados com várias críticas portuguesas, já explicaram a diversos meios que a escolha dos países foi feita com base em critérios científicos e sanitários.

Assim que se soube da exclusão, o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, disse no entanto à agência Lusa considerar que o Reino Unido tomou uma decisão “assente em critérios pouco objetivos” ao aceitar outros países onde a situação epidemiológica devido à pandemia da Covid-19 é mais intensa do que no Algarve ou até em Portugal.

Mesmo esta quarta-feira, 8 de julho, vários especialistas da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) vieram defender que a exclusão de Portugal da lista de corredores turísticos seguros para o Reino Unido é errada e assenta numa análise científica que dizem ser pouco rigorosa.

Num documento citado pela Lusa, os especialistas frisam que “interpretar valores de incidência de casos reportados sem considerar outros indicadores de risco epidemiológicos, a distribuição geográfica e que diferentes países detetam diferentes percentagens do total real de casos é errado e levou à adoção de políticas desadequadas que, sem contribuir de forma relevante para prevenir a transmissão, têm consequências negativas a nível socioeconómico, político e diplomático”.

Os responsáveis defendem que a adoção pelas autoridades britânicas do número de casos por cem mil habitantes nos últimos 14 dias como o principal critério de risco epidemiológico não reflete corretamente a gravidade da epidemia no País e penaliza a “política de testagem abrangente” adotada em Portugal.

Entretanto, já foi anunciado que no próximo dia 27 de julho será feita uma nova reavaliação da lista de países isentos de quarentena nas chegadas ao Reino Unido, ainda que os requisitos devam ser exatamente os mesmos.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

NiTfm

AGENDA NiT