Turismos Rurais e Hotéis

A aldeia turística mais antiga do País leva-o de férias para longe das multidões

São Gregório fica em Rio de Moinhos, Borba, e nasceu em 1998. Reabre depois de estar fechada um ano e meio — mas com novidades.
A serra, a vinha e meia dúzia de vizinhos. É tudo o que vai ver.

Alentejo profundo, para lá das estradas principais, entre vinhas e oliveiras, mora a aldeia de São Gregório. Abandonada durante muitos anos, renasceu em 1998 para receber o título de primeiro turismo de aldeia do País. De lá para cá, foi preciso ziguezaguear entre alguns obstáculos. Fechada há um ano e meio, prepara-se agora para voltar a encher-se de vida — e de pessoas —, com algumas novidades.

A primeira é, desde logo, a reinauguração do complexo. Comprado por uma família e transformado para receber turistas em 1998, acabou por ser dividido a meio: seis das 12 casas estão agora desativadas. Mas é na outra metade que Salvador Kadosh empenha todos os esforços.

Aos 60 anos, o antigo diretor das linhas aéreas israelitas é o homem responsável pela exploração da Aldeia de São Gregório. “Quando vim cá pela primeira vez percebi logo que estava aqui uma pérola. A sensação que tive foi a de que era um lugar lindíssimo mas um pouco abandonado. O potencial estava lá e foi amor à primeira vista”, confessa à NiT.

A aldeia ficou congelada no tempo

A remodelação focou-se essencialmente no interior das casas. Era necessário torná-las mais confortáveis sem deitar pela janela todo o conceito: o ambiente rústico e intocado das tradicionais casas alentejanas de aldeia. Assim foi.

Parte da mudança está também relacionada com a estratégia comercial. O objetivo passa por atrair mais visitantes na época baixa, altura em que os rigores meteorológicos do interior requerem outras armas para combater a chuva e o frio. Os hóspedes trocam as tardes na piscina por serões à lareira — e também isso requer outro planeamento.

As cozinhas foram completamente remodeladas e equipadas — há uma em cada casa —, bem como as salas, que estão hoje mais confortáveis.

A aldeia está rodeada por vinhas

“O maior investimento foi feito nestas divisões sem que nenhuma parede tenha sido removida ou acrescentada. Mantivemos a traça original, tipicamente alentejana. Por fora é uma aldeia do século XVI, por dentro é toda uma outra coisa”, explica o responsável.

Ao longo das duas ruas, as casas brancas com as tradicionais listas coloridas aglomeram-se em torno de uma praça. É aí que Salvador quer juntar os aldeões temporários, numa altura em que alguns dos serviços estão suspensos, como é o caso do pequeno-almoço. Mas porque estamos numa aldeia, em São Gregório pretende-se que os hóspedes convivam e dessa forma, é possível reservar um almoço ou um jantar ao ar livre, servido na praça — e que pode ser confecionado para uma ou para as cinco casas. À mesa chegam petiscos locais, das migas à carne de porco alentejana.

“O conceito é que as pessoas que coabitam a aldeia num certo momento possam conviver entre si”, nota Salvador. Caso prefiram uma maior privacidade, também não há problema, já que todas as casas possuem um pequeno terraço só para si.

A reabertura, prevista para a Páscoa e adiada pela pandemia, está agendada para a segunda quinzena de julho. E em pleno verão quente, é impossível esquecer a piscina, construída há vários anos para lá da fronteira da aldeia. Sem espaço livre junto às casas e com uma imensidão de vinhas a rodeá-las, foi necessário comprar um pequeno monte a 150 metros para fazer nascer a piscina.

Um dos quartos que mantêm a traça característica

É nesse terreno que irá também nascer uma nova casa, também ela de traça típica intocada e com uma característica única: existe uma azenha no meio da sala. Prevê-se que esteja finalizada e pronta a habitar até ao final do ano.

Há, portanto, cinco casas disponíveis para alugar. Uma mais pequena, apenas com um quarto e capacidade máxima para duas pessoas — e uma criança. As restantes têm dois quartos e uma capacidade máxima de cinco hóspedes. Um limite que pode ser flexibilizado, mas “à custa de algum conforto”, nota Salvador.

Todas elas estão completamente equipadas com cozinha, casa de banho e outros luxos como aquecimento central, lareira, televisão e wi-fi. À parte disso, a decoração rústica e sem grandes apetrechos serve o propósito: de nos levar numa viagem à aldeia onde o supérfluo não existe. Os preços também são convidativos e partem dos 40€ na época baixa até aos 155€ na época alta.

Quando se fartar do percurso casa-piscina-casa, só tem que olhar em frente. Ao fundo, a Serra d’Ossa dá-lhe a oportunidade de tirar a manhã para fazer um passeio a pé ou de bicicleta. Nas redondezas pode até ir passear a cavalo ou de balão de ar quente. E saiba que esta aldeia fica a poucos quilómetros de Évora, Estremoz, Borba, Vila Viçosa e Monsaraz — e na zona de uma das maiores concentrações de castelos de fronteira.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Aldeia de São Gregório, Rio de Moinhos, Borba
    7150-390
    Alentejo

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