Na cidade

Vivi durante um dia só com cartão de pagamento — e ganhei horas para mim

Durante quatro dias, quatro colaboradores da NiT deixaram as notas e as moedas em casa para aderirem ao movimento #CashlessLife.

É tão fácil levar uma #cashlesslife.

Numa era em que tudo à nossa volta é digital, faz sentido continuarmos a usar moedas e notas para comprar o que nos apetece? É possível viver apenas com um cartão? Isso é mais ou menos seguro? Consigo poupar dinheiro dessa forma ou acabo por comprar coisas mais caras por não estar a olhar efetivamente para o dinheiro? Foi precisamente para responder a estas e outras perguntas que quatro colaboradores da NiT decidiram viver apenas com um cartão durante um dia inteiro. No fundo, decidiram ter uma #CashlessLife. Esta foi a experiência da Joana Borges Carvalho.

Costumo andar com pouco dinheiro na carteira. Prefiro assim. Pago tudo, ou praticamente tudo, com cartão, por isso, não me pareceu uma tarefa nada complicada escrever esta reportagem. Mas estão a ver aquela sensação de só começarmos a pensar nas dificuldades de uma coisa quando nos privam dela? Sim, como quando o PT nos diz para pararmos de comer chocolate para a nossa Operação Verão e de repente nada nos apetece mais do que um Kit Kat? Foi isso que eu senti na véspera. 

Escolhi o dia de aniversário do meu filho Manuel para viver apenas e só com o meu cartão no porta-moedas. Fui buscá-lo (e à irmã Inês) ao colégio por volta das 12h30 para passarmos uma tarde divertida. 

Antes de chegar lá, passei pelo supermercado Lidl para comprar os ingredientes que me faltavam para o bolo de aniversário do jantar de família. Atirei meia dúzia de coisas para o saco, cheguei à caixa, entreguei o cartão, paguei e saí. Na fila ao lado, a mulher que ia andando ao meu lado à espera de ser atendida, continuou por lá. E não, ela não levava as compras do mês. Simplesmente achou que era boa ideia pagar em dinheiro vivo. Pois, o filme foi tão clássico quanto um “Casablanca”. A última coisa que ouvi enquanto recebia a fatura, foi a empregada a dizer: “Desculpe, só uns minutos, é que acabei de ficar sem trocos”. Boa sorte com isso, vizinha do supermercado. 

Compras, check. Miúdos, check. Próximo destino: almoço no Burger King, em Campo de Ourique — o Manuel adora aquelas chicken wings (desculpem, fãs do McDonald’s). Apesar do caos habitual do estacionamento em Campo de Ourique, tive sorte e estacionei bem perto do Jardim da Parada. Ai, e agora as moedas para o parquímetro? Olhem, fiz o que já devia ter feito há muito, muito tempo. Descarreguei a aplicação da EMEL, carreguei a minha conta com dinheiro e defini até que horas iria ficar por ali. Fiz tudo com o telemóvel. E não demorei mais de cinco minutos. “Anos de vida, Joana. Perdeste anos de vida nos parquímetros a fazer contas aos trocos e às multas”. Esta citação é da minha carteira.

Chego ao restaurante e tenho o segundo susto do dia, logo depois do parquímetro. A fila tinha tudo para demorar uma eternidade. Nada disso. É incrível como os clientes destes espaços parece que já nem usam dinheiro. Estejam atentos e vão ver que é verdade. Demorei literalmente segundos a chegar à minha vez. E ainda mal tinha marcado o código e já tinha os copos em cima do tabuleiro. Os três menus — e a caixa extra de chicken wings — chegou pouco depois. Fica a sugestão: cronometrem o atendimento num restaurante de fast food e num espaço tradicional. A diferença vai ser muito maior do que está a imaginar.

Dali seguimos para os jardins do Jamor, para jogar à bola e trepar pelo parque de madeiras. Enquanto os miúdos arriscavam a saúde dos ossos a não-sei-quantos metros do chão, fui beber café ali ao lado. Será que posso pagar 65 cêntimos com cartão? Imaginava que era impossível, mas estava — outra vez — enganada.  O empregado aceitou e nem sequer deitou um esgar de incómodo. É bom conviver com pessoas modernas e civilizadas. 

De volta a casa, atirei-me ao tal bolo de receita mista. Metade era de chocolate, a outra de iogurte. O Manuel não gosta de chocolate, teve de ser assim. Sou uma mãe querida e fofinha, mas sou também uma mãe preguiçosa. Por isso, parti o bolo ao meio em vez de cozinhar dois de cada sabor. A vida é assim, Manuel, tens de aprender a partilhar. 

Voltámos a sair por volta das 19h30 para o restaurante italiano Diecide, no Campo Pequeno, onde estava o resto da família. Voltei, claro, a pagar tudo com cartão. Fácil, rápido e limpinho. Quando saímos, percebemos que o Campo Pequeno tinha acabado de ser invadido pelos Santos Populares — até porque era véspera de Santo António. Havia centenas de pessoas a dançar ao som de música dos anos 90, rodeadas por barraquinha de bifanas, hambúrgueres e cerveja e ainda uns super insufláveis para as crianças. Claro que os miúdos quiseram correr para ali, mas desta vez não houve mesmo solução. Cada dez minutos de pulos e cambalhotas custava 2€, sem faturas ou cartões. Então se é assim, nada feito. Fica para a próxima, queridos filhos. A mãe já não se mete em aventuras do antigamente.

Este artigo foi escrito em parceria com a Mastercard.

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