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Transportes lotados e coronavírus: utentes pedem medidas urgentes ao governo

Comissão de Utentes da Linha de Sintra diz que é a saúde dos passageiros que está em causa e exige uma intervenção.
A imagem partilhada pelos utentes.

“Evitar locais onde haja uma grande concentração de pessoas”. É o que tem reiterado a Direção Geral de Saúde. Um pedido que foi reforçado esta terça-feira, 10 de março, pelo primeiro-ministro, António Costa. É esta uma das medidas consideradas essenciais pelas autoridades, portuguesas e estrangeiras, para conter o surto do novo coronavírus e tentar evitar a sua propagação pela comunidade.

Mas os utentes dos transportes públicos insurgem-se agora e dizem não ter como evitar contacto e concentração, se os equipamentos continuam lotados. A Comissão de Utentes da Linha de Sintra, denunciou nas redes sociais mais um caso de sobrelotação, fazendo a ligação à situação do coronavírus, já com 41 casos confirmados, em Portugal.

“Recebemos um relato de uma utente que nos conta que ontem [segunda-feira, dia 9] da parte da tarde, viajando no sentido Entrecampos-Sintra, não conseguiu sair na Estação de Benfica, tal era a sobrelotação do comboio. Este é apenas um exemplo de situações diárias, que se continuam a repetir na linha de Sintra”, escreve a comissão.

“O País e o mundo estão a braços com uma epidemia e sabe-se que o contágio é fácil. Nestas condições de viagem, para além dos outros transtornos, é a própria saúde dos utentes que está em causa. A CP e o governo têm de tomar medidas urgentes”, reforça.

A Comissão de Utentes acrescenta depois, num comentário à sua publicação, uma infografia que nos últimos dias começou a circular, que representa o que novos estudos e especialistas defendem: que a distância recomendada entre pessoas para a não transmissão é agora de 4,5 metros.

À NiT, chegam outros relatos: uma utente habitual da Fertagus descreve que também ali as composições continuam lotadas e é agora comum ver pessoas de máscara, desinfetante ou a expressar receio constante pelo contacto próximo.

Recebemos um relato de uma utente que nos conta que ontem da parte da tarde, viajando no sentido Entrecampos-Sintra, não…

Publicado por Comissão de Utentes da Linha de Sintra em Terça-feira, 10 de março de 2020

Quando, no final de fevereiro, a DGS emitiu as suas recomendações sobre o Covid-19, dizia a dado ponto que as empresas deviam estar preparadas para a possibilidade de parte (ou a totalidade) dos seus trabalhadores não irem trabalhar, devido a doença, ausência de meio de transporte, ou encerramento de escolas.

Recentemente, a NiT passou um dia a viajar precisamente na Linha de Sintra para avaliar as denúncias constantes de sobrelotação, e escreveu depois a visão de um repórter que a frequenta regularmente e de outra de quem raramente a usa. O resultado pode ser recordado no artigo.

No início deste março, a comissão que representa os utentes desta linha expunha, também no Facebook. que, após 15 dias “relativamente normais”, “voltaram as supressões na hora de ponta: pessoas apertadas contra as portas, indisposições e atrasos”. Segundo o grupo, “está prometida a reposição de comboios em reparação até ao final do mês”.

À NiT aquando da reportagem sobre a linha, a CP confirmou que “está a trabalhar para disponibilizar, até ao final de 2020, oito automotoras elétricas para reforçar o parque de material circulante em unidades e, consequentemente, a capacidade de transporte”. A entrada em serviço destas unidades representará oito mil novos lugares adicionais aos atualmente existentes, até ao final deste ano. A recuperação dos comboios já está ser feita nas oficinas da CP, no Entroncamento.

Barraqueiro e TST reforçam medidas de higienização e desinfetação

Também esta terça-feira, as empresas de transportes Barraqueiro e Transportes Sul do Tejo (TST), que operam na Área Metropolitana de Lisboa, anunciaram que estão a reforçar as medidas de contingência por causa do surto de Covid-19, como a higienização e a desinfetação.

À Lusa, citada pelo “Jornal de Negócios“, a Barraqueiro adiantou que deverá ser definida uma zona de isolamento para colaboradores e procedimentos internos para identificação, tratamento e encaminhamento de casos suspeitos, bem como disponibilizadas máscaras cirúrgicas e luvas para casos suspeitos. Além de um reforço do planeamento de higienização e limpeza das superfícies mais manuseadas e medidas de desinfeção, o Grupo Barraqueiro tem identificado os trabalhadores que poderão ter maior risco de infeção pelo Covid-19, “como os motoristas e todos os trabalhadores que tenham contacto direto de atendimento ao público”.

O grupo disse ainda ter sentido ate agora “apenas uma ligeira diminuição da procura dos serviços comerciais não regulares”, sem impactos significativos.

Também contactada pela Lusa, os Transportes Sul do Tejo (TST) indicaram que também têm seguido um plano com “vista a reforçar a limpeza e desinfeção dos diversos locais”. A empresa rodoviária garantiu que não tem sentido uma redução de afluência de passageiros.

 

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