Na cidade

Passe o dia neste veleiro no rio Tejo: até pode dar mergulhos de flute na mão

Pode ver o pôr-do-sol, tomar o pequeno-almoço no convés ou passar a noite embalado pelas ondas. É uma experiência inesquecível.
Troque a praia pelo barco.

Um ano, foi o tempo que o barco à vela de Frederico Matos demorou a viajar da Grécia ate à marina de Cascais. Demoraria quase outro ano completo até que os primeiros viajantes pudessem recostar-se no convés e aproveitar o sol entre a brisa e os salpicos da água. Hoje, é a paixão do formado em biologia que trocou as explicações pela verdadeira paixão — que partilha com quem quiser aventurar-se.

Porquê a vela em detrimento do motor? “Sempre tive uma paixão pelo mar. Um dia convidaram-me para passear num barco e fiquei desiludido quando vi que era à vela. Gostava era e barcos a motor. Assim que começámos a andar, percebi que era espetacular”, explica à NiT.

Os barcos a motor “são para quem não quer fazer nada”, justifica o velejador de 45 anos que se viciou na “emotividade da sensação de velocidade e da adrenalina” que este tipo de embarcações proporciona.

Ao fim de 15 anos, fartou-se das explicações e decidiu mudar de vida e dedicar-se ao mar. Recrutou três amigos porque o investimento “era demasiado avultado para fazer sozinho” e foi à caça do barco perfeito. Encontrou-o na Grécia, onde “o mercado é forte” e portanto mais fácil se torna encontrar embarcações em bom estado. 

Há uma experiência dedicada apenas ao pôr-do-sol.

A viagem que deveria durar duas semanas durou quase 12 meses. Entre percalços, o barco teve que ficar vários meses num estaleiro. Chegou finalmente a junho de 2018 e depois de resolver problemas burocráticos, em 2019 começou “a aventura comercial” da Ocean’s Four Sailing.

O sonho era fazer viagens e passeios longos, pela costa portuguesa, de Lisboa ao Algarve. Não era isso que os viajantes procuravam. “Não havia mercado para isso e tivemos que nos guiar pelo que era procurado”, explica. Hoje, fazem passeios de duas, quatro, seis ou oito horas, mas não desistiram das viagens de longo curso.

Pode aproveitar uma manhã ou fim de tarde ao largo de Cascais, dormitar na golden hour do pôr do sol, ir à procura de golfinhos ou velejar no caminho inverso e aventurar-se pelo Tejo e pelas margens de Lisboa.

Os percursos podem durar um mínimo de duas horas ou até um máximo de oito. Os preços variam entre os 175€ e os 650€, sendo que os grupos têm capacidade máxima de oito pessoas. Preços que a pandemia obrigou a baixar.

“Tivemos que reduzir os preços. Mantemos o barco como sempre, só que não podíamos oferecer tantas coisas. Hoje oferecemos sempre uma bebida, mas de resto, petiscos e mais bebidas, será sempre opcional. Podem é trazer a sua própria comida”, esclarece.

Com cerca de 40 metros quadrados — distribuídos por quatro cabines, três delas equipadas com cama de casal e outra com dois beliches —, seria uma pena não aproveitar todo o potencial da embarcação. Até porque os mais de oito mil euros anuais para ter o barco na marina “têm que ser rentabilizados”.

Tem quatro quartos, duas casas d banho e uma sala.

“Tentámos aproveitar as dormidas entre outubro e março, meses em que normalmente não conseguimos sair para o mar, e oferecemos o barco para quem queira ter a experiência de ali dormir”, nota.

Uma experiência que custa 125€ por noite por casal. Cada pessoa extra terá que pagar mais 25€. E se quiser tomar o pequeno-almoço bem confortável no convés — custa 15€ — e só tem que abrir o frigorífico: todos os dias, pelas 7 horas da manhã. a equipa deixa um cabaz que inclui pão fresco, leite, café, manteiga e compotas.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT