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ONU apela: é preciso deixar de comer carne para combater alterações climáticas

Relatório da organização apresenta problemas e soluções para o aquecimento global.
Estudo feito pelo IPCC.

Um novo estudo feito a pedido das Nações Unidas garante que os esforços para contornar as emissões de gases e o impacto do aquecimento global não são suficientes a não ser que sejam feitas mudanças drásticas, e globais, no uso da terra, na agricultura e na dieta humana.

O relatório feito pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), uma organização no âmbito das Nações Unidas, concluiu que, se toda a população adoptasse uma dieta vegetariana, tal teria um impacto extremamente positivo no combate às alterações climáticas.

O relatório, publicado esta quinta-feira, 8 de agosto, fornece ainda medidas para ajudar a diminuir o consumo de carne. O estudo foi composto com a ajuda de cem especialistas, ao longo dos últimos meses.

“Não queremos dizer às pessoas o que comer”, disse Hans-Otto Pörtner, um ecologista do IPCC, citado pela revista científica “Nature”. “Mas seria de facto benéfico, tanto para o meio ambiente como para a saúde humana, se as pessoas nos países mais abastados consumissem menos carne, e se os políticos criassem incentivos apropriados para tal”.

Os investigadores assinalaram ainda o impacto da desflorestação. A Amazónia, por exemplo, é um reservatório de carbono gigante e atua como refrigerador da temperatura global, mas a desflorestação está a aumentar rapidamente nessa região.

Outro dos grandes problemas é o gado, sobretudo as vacas, que produzem uma grande quantidade de metano enquanto digerem. O relatório afirma que uma dieta à base de plantas é fundamental para os problemas ambientais e de saúde.

Uma alteração na dieta mundial poderia, até 2050, libertar milhões de quilómetros quadrados de terra e reduzir as emissões de CO2 até oito mil milhões de toneladas por ano.

Por outro lado, o estudo aponta preocupações na implementação destas mudanças. Algumas zonas do planeta não têm acesso a tanta água como outras e por isso tem de se evitar o risco de não se produzirem alimentos suficientes ou da perda de biodiversidade.

No entanto, já um quarto dos solos apresentam degradação e, com as alterações climáticas, espera-se que a situação piore, sobretudo em zonas costeiras baixas, fluviais e secas.

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