Na cidade

Máscaras e luvas de proteção contra a Covid-19 são uma ameaça à vida nos oceanos

Especialistas alertam para um problema emergente com a pandemia do coronovírus — se os materiais não forem bem descartados.
Máscaras recolhidas do mar, imagem do Oceans Asia.

A pandemia do novo coronavírus veio cheia de más notícias, de tragédias pessoais, de decisões difíceis e de consequências para a saúde e economia. Mas, cada vez menos especialistas duvidam disso, trouxe também alguns benefícios para o planeta em termos ambientais. Não diretamente pelo surto da Covid-19, mas pelo confinamento em casa de biliões de pessoas em todo o mundo: e claro, menos carros, menos fábricas e menos aviões.

Até agora, todos os indicadores de poluição — desde imagens de satélite a medições de dióxido de nitrogénio, passando pelo simples facto de os céus das cidades mais poluídas estarem visivelmente limpos e de alguns animais regressarem onde não surgiam há décadas —, têm dado a entender estes benefícios.

Mas, também para o ambiente, há afinal uma consequência negativa de tudo o que está a acontecer. E os culpados serão os suspeitos do costume: os cidadãos.

Segundo o “The Independent“, o aumento das máscaras faciais e luvas descartáveis usadas para impedir a disseminação do coronavírus está aumentar o excesso de plástico; e esta poluição ameaça a saúde dos oceanos e da vida marinha, alertam os ambientalistas.

Ninguém duvida da importância do uso de máscaras e luvas para conter a pandemia, mas a verdade é que atualmente o seu uso é, tal como o de luvas, praticamente imensurável. O problema não é esse, mas sim a maneira como muitas são descartadas.

Com tanto uso, em tanto lado, muitas pessoas não as deitam fora da melhor maneira e basta uma negligência ou descuido, o vento num caixote aberto, para não falar de quem as coloca na rede de esgotos, e vão parar ao oceano.

Segundo o jornal, não apenas existe um risco potencial à saúde de deixar cair máscaras e luvas usadas durante a pandemia, mas muitos contêm materiais que não reciclam e não são biodegradáveis. As máscaras cirúrgicas são feitas com tecidos não tecidos, incluindo plásticos como polipropileno. E o problema já é real, alerta a organização OceansAsia que encontrou, logo em fevereiro, máscaras espalhadas pelas praias próximas de Hong Kong.

Os ambientalistas lembram que as máscaras e luvas usadas contribuem para um problema já significativo: pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos todos os anos, representando 80% de todos os detritos marinhos, de acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza.

Isto traz problemas graves aos ecossistemas, com os plásticos maiores a serem causa de morte de centenas de espécies e os mais pequenos a entrarem na cadeia alimentar. Há também um risco à saúde humana quando isso acontece, concluem os especialistas.

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