Na cidade

Há mais uma rua a ser pintada em Lisboa: fica em Benfica e vai ser verde

A Rua Cláudio Nunes, onde mora o primeiro-ministro, será a próxima da experiência "A Rua é Sua", de fecho ao trânsito.
A Rua Claudio Nunes.

Depois da rua rosa, no Cais do Sodré, da rua azul, a “nova” rua dos Bacalhoeiros, na Baixa, chega a rua verde. No âmbito do programa da Câmara Municipal de Lisboa “A Rua é Sua”, que ainda esta semana originou debates acesos nas redes sociais após a intervenção nos Bacalhoeiros, a próxima rua a ser pintada de cores garridas para deixar bem claro que os carros ali não passam (pelo menos durante uns tempos) será a Cláudio Nunes, em Benfica.

A notícia é avançada esta quarta-feira, 8 de julho, pela “Sábado“, que cita um comunicado que terá sido afixado pela autarquia no local. Nele, diz a revista, explica-se que a Rua Cláudio Nunes será “a nova Rua Verde de Lisboa”. “Será pedonal e terá espaço para esplanadas, novas zonas de estadia e comércio sustentável”. Aqui, o fecho da rua que muitos na zona conhecem como “a que liga a Igreja de Benfica ao Cemitério” deverá ser apenas parcial na extensão.

O documento diz ainda que os trabalhos estarão concluídos na terceira semana de julho, numa intervenção com início marcado para a passada segunda-feira, dia 6. O projeto está inserido no âmbito da “nova normalidade com uma série de intervenções que garantem maior distância física nas ruas e passeios”. Uma das ideias, diz a CML, é “aumentar as áreas para esplanadas para garantir maior segurança.”

Segundo lembra a “Sábado”, a Rua Cláudio Nunes ficou mais conhecida depois de o primeiro-ministro, António Costa, ter ido para lá morar no final de 2018. A rua é de difícil estacionamento, mas o primeiro-ministro, por razões de segurança, “tem dois lugares reservados pela PSP”.

A iniciativa está integrada no programa da CML “A Rua é Sua” que começou há alguns anos com o fecho da Avenida da Liberdade aos domingos. O programa pretende promover a mobilidade ativa, melhorar o acesso ao comércio local e aumentar as áreas para esplanadas para garantir maior segurança — e foi o mesmo que, esta segunda-feira, 6 de julho, fez noticia devido ao fecho da Rua dos Bacalhoeiros.

Na internet, algumas partilhas confirmam já a carta afixada no local, lembrando que esta era também uma proposta do orçamento participativo, para incentivar o comércio.

Ao passarmos hoje ao fim da tarde na Rua Cláudio Nunes, ouvimos o senhor da churrasqueira a dizer a um adepto…

Publicado por Retalhos de Bem-Fica em Segunda-feira, 6 de julho de 2020

No dia 6, aquando da notícia dos Bacalhoeiros, foram adiantadas várias informações pela junta local, a de Santa Maria Maior, que podem ajudar a explicar estas intervenções. No seu site e redes sociais, a junta explicou primeiro que, durante o passado fim de semana, seria feita a intervenção dos Bacalhoeiros no troço entre a Rua da Padaria e a Rua dos Arameiros. “Lisboa está a adaptar-se à nova normalidade, com uma série de intervenções que garantem maior distância física nas ruas e passeios”, frisou então a junta — tal como no documento exposto na Rua Cláudio Nunes —, remetendo então para o programa municipal “A Rua é Sua”.

Na pintura azul da rua da Baixa, as imagens da nova rua tornaram-se, em horas, virais nas redes sociais — não necessariamente pelos melhores motivos. Nas partilhas da junta e de vários lisboetas de imagens da nova rua, os comentários tornaram-se debates e até ataques, recaindo sobre vários elementos: a escolha da cor, a alegada descaracterização de uma rua do centro histórico da capital, a necessidade, ou não, destes intervenções.

Depois, a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior reagiu aos comentários negativos explicando os motivos, o conceito, a obra. A entidade começou por lembrar que, “no âmbito da Proposta nº 273/CM/2020 da Câmara Municipal de Lisboa, também aprovada por unanimidade pela Assembleia Municipal de Lisboa” — que autoriza o alargamento do espaço público destinado a esplanadas e a pedonalização de algumas vias como forma de se contribuir para combater a “profunda crise”, que atinge em particular a restauração e afins no Centro Histórico, com “graves e imediatas consequências na perda de dezenas ou centenas de postos de trabalho”, a Junta de Freguesia acordou com a Câmara Municipal a pedonalização e fecho temporário de três ruas no seu território, duas delas “com escasso e residual trânsito”.

Estas artérias, adiantou a junta em comunicado, são a Rua Nova da Trindade (troço entre o Largo da Trindade e a Travessa João de Deus), a Rua dos Bacalhoeiros (no troço até à Rua da Padaria) e a Rua João das Regras.

Assinada pelo presidente da junta, Miguel Coelho, a declaração explicava ainda que o compromisso assumido, “tendo em conta a urgência em poder fornecer aos operadores comerciais esta possibilidade ainda durante este verão”, foi de que este encerramento seria apenas até ao dia 31 de dezembro. Terminado este período, adiantava, far-se-á uma avaliação desta experiência, decidindo-se após isso pela sua manutenção, ou não, como espaço pedonal.

A Junta de Freguesia adiantou ainda ter posto como condição para poder assumir a implementação desta experiência, que todas as esplanadas terão de fechar impreterivelmente até às 23 horas. Além disso, e como forma de “evitar a invasão do espaço pedonal por veículos automóveis”, foi decidido que, durante esta fase experimental, estas vias fossem pintadas de uma cor alternativa, seguindo assim, a Junta de Freguesia, “o modelo proposto pela Câmara Municipal”.

Finalmente, Santa Maria Maior frisou que, pelo menos ali, “todas estas vias que após o período experimental venham a ser definitivamente consideradas pedonais serão, a partir de 1 de janeiro de 2021, objeto de intervenção de colocação de calçada portuguesa”.

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