Na cidade

Experimentei um escape game online — não é como o real, mas vale a pena

Uma jornalista da NiT está a jogar um escape game virtual e gratuito. Ao contrário do que se possa pensar, é bem divertido.
No jogo, é preciso encontrar um fugitivo.

Estou em casa há 47 dias. Entre teletrabalho, refeições, limpezas e séries da Netflix, o tempo tem corrido e a quarentena não tem afetado o dia a dia como esperava.

Porém, é nas folgas que me dedico mais aos meus passatempos favoritos e a jogar jogos de tabuleiro, enquanto olho pela janela e espero que a vida tome o seu curso normal assim que possível.

Foi ao escrever um artigo sobre o INscape, um escape game da marca Mission To Escape, que decidi experimentar um escape game online. Através de vários enigmas, é necessário guiar o protagonista da série “Prison Break” na sua fuga da Penitenciária Estadual mais rígida dos EUA.

Enquanto aguardava pelo segundo episódio, dei conta do Lockdown, um outro escape game virtual da Enigmind, que se encontra na lista de atividades gratuitas da Odisseias.

Há uns anos experimentei um escape room e posso garantir que, como seria de esperar, é claro que um escape room online, como algumas empresas chamam, nada tem a ver com um escape room real.

Falta a companhia dos amigos ou familiares, faltam os objetos reais, falta o contador de tempo dentro da sala que aumenta a pressão de conseguir ou não sair a tempo, entre tantas outras coisas.

Mas estamos em isolamento social e, para quem gosta de resolver enigmas, esta é uma óptima solução. Comecei o jogo e lembrei-me de quando tinha uns seis anos e os meus pais e o meu tio jogavam os video jogos mais inovadores da época. Provavelmente não são nomes familiares, mas as primeiras versões de Monkey Island (1990) e Broken Sword (1996) foram os primeiros jogos que vi alguém jogar.

Consistiam em resolver pistas e enigmas e conduzir as personagens principais no seu objetivo. Sentava-me ao colo dos meus pais e, sem perceber o que aparecia escrito em inglês, ia vendo e até ajudando a jogar.

É claro que estes escape rooms de quarentena estão para um escape room real como os video jogos do início de 1990 estão para os atuais. Mas passo a explicar o Lockdown e a piada de o jogar.

A agente Sofia investiga a fuga do prisioneiro 1027. Durante 14 dias, a agente envia-lhe um pedido de ajuda diário (que irá receber no email que indicar no site). Cada pedido é composto por vários enigmas.

Com recurso a texto, imagens, vídeos, áudios ou fotografias (sim, não é um jogo virtual habitual), o objetivo é resolver os vários enigmas deixados pelo prisioneiro para ajudar a agente Sofia.

Pode ser código morse, textos por decifrar, descobrir códigos de cofres, entre muitos outros. Para cada um há sempre seis respostas possíveis, apenas uma é a correta. Alguns são um pouco fáceis demais, mas outros levam a pensar melhor e até apontar o seguimento numa folha — são esses os mais desafiantes e divertidos.

Através do jogo virtual, podemos viajar por uma prisão, pelas ruas de Lisboa, apanhar um avião até Florença, e viajar até Roma. Quanto ao final, será que iremos conseguir apanhar o prisioneiro 1027? Também estou a aguardar para saber.

Também gratuitos, há os escape games Apocalipsis Higiénico, os enigmas virtuais da Timeless Lisbon, e o Hogwarts Digital Escape Room dedicado aos fãs de Harry Potter, para ajudar a passar a quarentena.

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