na cidade

Estas casas minúsculas, e sobre rodas, são uma solução para a crise imobiliária

As tiny houses surgiram nos EUA, mas já há quem as faça em Portugal.
Tinyhouse Portugal é a empresa de Sammy van den Berghe.

Numa tradução livre do inglês, tiny significa pequenino. O movimento Tinyhouses refere-se, por isso, a casas minúsculas. Mas, para serem ainda mais originais, estas casas são também sobre rodas. E são uma resposta, cada vez mais comum, ao dilema de milhares de pessoas que não conseguem encontrar casas a preços realistas.

“O movimento nasceu nos Estados Unidos”, explica Sammy van den Berghe, o belga dono da empresa Tinyhouse Portugal, à NiT. Mas, na Europa já é também comum, sobretudo em França e na Holanda.

Sammy criou oficialmente a sua empresa em Portugal em 2018 e até hoje construiu sete casas. “Os meus clientes são sobretudo estrangeiros a viverem cá. Das sete tiny houses, só duas é que foram vendidas a portugueses”, conta.

Foram direitinhas para terrenos na costa alentejana ou no Algarve. “A zona do Algarve tem casas muito caras, os meus clientes optam pelas tiny houses por serem uma opção bem mais económica”, refere Sammy. 

Os modelos são customizados e podem ter um comprimento variável entre os quatro e os 7,2 metros; já a largura é fixa nos 2,5 metros e a altura pode ir até um máximo de quatro metros. Mas, afinal, quanto é que custam as tiny houses? “12 mil euros é o preço mínimo e a mais cara que vendi custou 27 mil“, diz o belga que vive em Portugal desde 2006.

Sammy van den Berghe tem 48 anos e, antes de se dedicar à construção destas habitações, já renovava casas para revenda e foi dono de um alojamento local. Na Tinyhouse Portugal, sediada em Pedrógão Grande, a sua missão é também empregar apenas prestadores de serviços (como eletricistas) locais.

Cada casa demora, em média, oito semanas a ser construída. É feita com madeira sueca certificada e tratada na Holanda, a cortiça e o telhado são nacionais e, no final, toda a estrutura é colocada em cima de um atrelado holandês com matrícula portuguesa.

Uma vez que as habitações estão sobre rodas, estas são entregues ao cliente no local que ele definir. Aqui há um serviço de transportadora que é pago à parte. É cobrado um euro por quilómetro, mais as portagens. Os donos também podem ir buscá-las e depois movê-las. Para isso, é necessário um veículo apto a rebocar um volume de 3,5 toneladas.

As tiny houses estão dentro da lei. No entanto, não podem sair do atrelado. Por terem matrícula portuguesa podem ser movidas a reboque mas não podem ser consideradas morada oficial. Legalmente, são consideradas casas temporárias e não podem estar fixas permanentemente num espaço.

Estas CosyCasas, como Sammy lhes chama, têm uma vertente sustentável. O cliente pode pedir para serem inseridos painéis solares, por exemplo. Quanto à casa de banho, talvez a divisão que mais dúvidas suscita, é normalmente completa. Se o futuro dono tiver forma de ligar o veículo ao sistema de esgoto, pode fazê-lo, mas há outras opções, como a introdução de sanitas de compostagem.

O movimento das tiny houses foi popularizado internacionalmente nas redes sociais. Exemplo disso é a página buslifeliving no Instagram, onde é possível ver vários autocarros transformados em pequenas casas. Na ficção, esta moda também já fez aparições. É o caso da série “Grace and Frankie”, da Netflix, em que a personagem Coyote Bergstein (Ethan Embry) mora numa tiny house na berma da estrada junto à casa da personagem Mallory Hanson (Brooklyn Decker). Na mesma plataforma de streaming está disponível “Tiny House Nation”, sobre famílias que escolheram viver desta forma nos Estados Unidos.

Carregue na galeria para ver alguns exemplos de tiny houses e do seu interior.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

NiTfm

AGENDA NiT