Na cidade

Desinfetante usado no metro e comboios pode não ser eficaz contra o coronavírus

A Direção-Geral da Saúde admitiu não existirem evidências científicas da eficácia do produto que a maioria das empresas usa.
Foto da limpeza partilhada pela empresa.

É um dos produtos mais utilizados nas últimas semanas na limpeza dos transportes públicos portugueses  — assim como em todo o mundo — por alegadamente não só eliminar o novo coronavírus das superfícies, como ainda garantir que estas ficam durante 30 dias descontaminadas.

Só que, como em quase tudo o que se relaciona com esta pandemia, as certezas ainda são poucas e as dúvidas muitas. Esta terça-feira, 7 de abril, a “TSF” publicou uma reportagem alargada sobre o desinfetante Microbe Shield Z-71 e o facto de a Direção-Geral da Saúde (DGS) afirmar que “não existe evidência científica” de que o produto seja eficaz contra o coronavírus.

Segundo a rádio, foi este o biocida usado nos metros de Lisboa e do Porto, comboios da CP, barcos que do rio Tejo e aeroportos. A sua utilização foi amplamente noticiada, sendo reveladas imagens do processo pelas diversas transportadoras, que o apresentavam como uma tecnologia de desinfecção, inócua para os humanos e animais mas “mortal para uma ampla variedade de bactérias e vírus”, incluindo este. Diziam ainda que o efeito durava 30 dias.

À TSF, a DGS admitiu no entanto que não há provas da sua eficácia contra o coronavírus nem sobre a sua capacidade de durar um mês. Esta entidade explica mesmo que já tinha notificado a empresa do Microbe Shield Z-71 por não cumprir as regras da publicidade. É que, frisa a DGS, esta não pode conter as menções “produto biocida de baixo risco”, “não tóxico”, “inócuo”, “natural”, “respeitador do ambiente”, “respeitador dos animais”, nem indicações semelhantes” que darão, segundo o artigo citado pela DGS, indicações “enganosas” “no que diz respeito aos riscos do produto para a saúde humana”. Os biocidas, frisa a DGS à radio e ao contrário do que dizia no produto, têm de ser utilizados com cuidado.

O biocida é de uma empresa da Nova Zelândia a Zoono, cujo representante em Portugal garante a sua eficácia, com base em testes independentes. A rádio contactou ainda o presidente do Colégio de Engenharia Química e Biológica da Ordem dos Engenheiros, António Gonçalves da Silva, que adiantou que, analisando os componentes, à partida é possível que o produto tenha as capacidades desinfetantes que permitem destruir o novo coronavírus.

O Metro de Lisboa foi uma das empresas que, recentemente, divulgou um vídeo da desinfeção profunda que tem realizado a carruagens e pontos de contacto.

 

 

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