Na cidade

Depois da rua rosa, há uma rua azul em Lisboa — e as opiniões dividiram-se

A Rua dos Bacalhoeiros foi pintada de azul para marcar uma nova fase, "dos cidadãos". Muitos não gostaram. A junta já reagiu.
Foi pintada no fim de semana.

Há uma nova rua pedonal na cidade de Lisboa: com mais espaço para esplanadas e para circulação dos cidadãos, a icónica Rua dos Bacalhoeiros, na Baixa, foi este fim de semana fechada ao trânsito e pintada de azul.

A informação foi divulgada pela Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, responsável pela iniciativa. No seu site e redes sociais, a junta explicou que, durante o passado fim de semana, seria feita a intervenção dos Bacalhoeiros no troço entre a Rua da Padaria e a Rua dos Arameiros. “Lisboa está a adaptar-se à nova normalidade, com uma série de intervenções que garantem maior distância física nas ruas e passeios”, frisou então a junta, remetendo para o programa municipal “A Rua é Sua”, que promove a mobilidade ativa, melhora o acesso ao comércio local e aumenta as áreas para esplanadas para garantir maior segurança.

A rua já tinha sido semi pedonalizada no sentido de ser proibido a maioria do trânsito, mas continuava a ter vários carros estacionados e poucos peões —apesar de ter recebido novos restaurantes e lojas nos últimos anos.

A imagem do projeto.

A sua pedonalização era uma promessa já antiga, acrescendo que, no início do mês de junho, a Câmara de Lisboa apresentou um mega plano de transformação do espaço pedonal na cidade para os próximos anos, acompanhado por um aumento da rede ciclável, entre outras iniciativas para evitar o aumento do transporte individual e a poluição. 

Publicado por Junta de Freguesia de Santa Maria Maior em Sábado, 4 de julho de 2020

No entanto, e apesar das intenções, as imagens da nova rua azul tornaram-se, em horas, virais nas redes sociais — não necessariamente pelos melhores motivos. Nas partilhas da junta e de vários lisboetas de imagens da nova rua, os comentários tornaram-se verdadeiros debates e até ataques, recaindo sobre vários elementos: a escolha da cor, a alegada descaracterização de uma rua do centro histórico da capital, a necessidade, ou não, destes intervenções, até os gastos que terão sido efetuados.

“Destruição do património da baixa pombalina”, “horrível” e “aberração” foram alguns dos comentários. Outros ironizam mesmo a situação da Liga de Futebol, comentando que a rua poderá ser uma antecipação a uma eventual vitória do FC Porto. Há ainda quem reforce que a calçada portuguesa é reconhecida em todo o mundo e poderia ter sido utilizada neste caso. Alguns lisboetas, ainda que em menor número, elogiam a iniciativa de haver mais um espaço para circular e para esplanadas.

Durante a tarde desta segunda-feira, 6 de julho, a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior reagiu aos comentários negativos explicando os motivos, o conceito, a obra. A entidade começa por lembrar que, “no âmbito da Proposta nº 273/CM/2020 da Câmara Municipal de Lisboa, também aprovada por unanimidade pela Assembleia Municipal de Lisboa” — que autoriza o alargamento do espaço público destinado a esplanadas e a pedonalização de algumas vias como forma de se contribuir para combater a “profunda crise”, que atinge em particular a restauração e afins no Centro Histórico, com “graves e imediatas consequências na perda de dezenas ou centenas de postos de trabalho”, a Junta de Freguesia acordou com a Câmara Municipal a pedonalização e fecho temporário de três ruas no seu território, duas delas “com escasso e residual trânsito”.

Estas artérias, adianta a junta em comunicado, são a Rua Nova da Trindade (troço entre o Largo da Trindade e a Travessa João de Deus), a Rua dos Bacalhoeiros (no troço até à Rua da Padaria) e a Rua João das Regras.

Assinada pelo presidente da junta, Miguel Coelho, a declaração explica ainda que o compromisso assumido, “tendo em conta a urgência em poder fornecer aos operadores comerciais esta possibilidade ainda durante este verão, foi de que este encerramento seria apenas até ao dia 31 de dezembro do corrente ano”. Terminado este período, adianta, far-se-á uma avaliação desta experiência, decidindo-se após isso pela sua manutenção, ou não, como espaço pedonal.

A Junta de Freguesia adianta ainda colocou como condição para poder assumir com a implementação desta experiência, que todas as esplanadas que venham a ser colocadas terão de fechar impreterivelmente até às 23 horas. Além disso, e como forma de “evitar a invasão do espaço pedonal por veículos automóveis”, foi decidido que, durante esta fase experimental, estas vias fossem pintadas de uma cor alternativa, seguindo assim, a Junta de Freguesia, “o modelo proposto pela Câmara Municipal”.

Finalmente, Santa Maria Maior frisa que “todas estas vias que após o período experimental venham a ser definitivamente consideradas pedonais serão, a partir de 1 de janeiro de 2021, objeto de intervenção de colocação de calçada portuguesa”.

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