Na cidade

Associação alerta para riscos da mudança da hora durante o isolamento

Na madrugada deste domingo, temos de adiantar o relógio para entrar no horário de verão. Confinados em casa, há cuidados a ter.
O sono é importante.

Não se esqueça: na madrugada deste domingo, 29 de março, a hora legal muda de regime. Segundo o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), isto quer dizer que, em Portugal continental e Madeira, à uma hora da manhã adiantamos o relógio 60 minutos, passando para as duas horas da manhã. Já nos Açores a mudança será feita à meia-noite de domingo, passando para a uma hora da manhã.

No entanto, segundo o presidente da Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono, este ano os efeitos potencialmente adversos causados pela mudança da hora podem acentuar-se devido ao confinamento obrigatório das pessoas na sequência da pandemia de Covid-19.

Citado pela Lusa, o alerta de Miguel Meira Cruz, também diretor do Centro Europeu do Sono, é de que o risco que as alterações dos ritmos biológicos e do sono têm no desequilíbrio do sistema imunitário e no risco de infeção.

“Dormir bem, suficiente e a horas certas, constituem medidas importantes para um aumento da imunidade e prevenção da doença”, defendeu. O investigador adiantou que a pandemia de coronavírus reforçou a importância de um aspeto essencial da vida e da prevenção em saúde pública e comunitária: os ritmos biológicos, nomeadamente o ritmo sono-vigília.

Meira Cruz e Masaaki Miyazawa, imunologista e diretor da Escola de Ciências Médicas da Universidade de Kindai, no Japão, estão a analisar as interações que podem surgir entre o sistema temporal circadiano, o sistema imunitário, a fisiologia do sono e o desenvolvimento e propagação da doença covid-19.

Neste contexto, alertam para os “riscos do desalinhamento horário” que surgem após a mudança da hora, sobretudo para o horário de verão, e que se traduzem normalmente num risco aumentado de enfarte na semana após a mudança.

Além disso, neste momento a grande maioria das pessoas está isolada e confinada a um ambiente entre quatro paredes, “muitas delas com pouco acesso à luz natural, um dos principais reguladores do seu tempo interior”. Meira Cruz salientou que, apesar de esta medida de isolamento ser necessária, não altera apenas o acesso à luz. Altera comportamentos e rotinas de que depende também a alimentação do nosso acerto horário”.

As pessoas isoladas deverão tentar manter rotinas, dormir as horas necessárias e um estilo de vida saudável.

“No próximo domingo, para aumentar a confusão aos relógios, o horário vai mudar. Continuarão a existir as pessoas para as quais isso significará pouco e continuarão a existir aquelas para as quais isso é de suma importância”, disse, lamentando o facto de as consequências deste risco serem por vezes negligenciadas. 

Nos últimos anos, o debate sobre a mudança da hora tem sido intenso e já chegou à União Europeia, sendo possível que em 2021 esta alteração cadenciada, duas vezes por ano, termine nos países que o desejarem. Pode ler tudo sobre este momento num artigo da NiT.

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