Na cidade

Voz do Operário não vai ter arraiais (mas há sardinhas e caracóis)

O espaço centenário da cidade esclarece que vai fornecer comida ao ar livre e com distanciamento.
Foto de A Voz do Operário.

A notícia surgiu no passado fim de semana: a Voz do Operário anunciava uma festa do género arraial na sua página oficial de Facebook. “É com grande alegria que anunciamos que o Arraial do Beco de Lisboa se irá realizar ao ar livre, já a partir do dia 8 de junho”, começou por escrever a associação, numa publicação entretanto já apagada.

Seguiu-se alguma polémica: primeiro nos comentários nas redes sociais da sociedade coletica, onde se criticava o risco e a falta de bom senso, apesar de a associação garantir que ia seguir todas as recomendações de higiene e segurança da Direção-Geral da Saúde; e depois pela Câmara Municipal de Lisboa, que sem fazer qualquer alusão direta a este assunto fez no domingo uma publicação nas redes sociais, na qual reforçou a proibição a arraiais anunciada em abril. 

“Arraiais e desfiles das Festas de Lisboa estão proibidos. Junho é o mês de #Lisboa, mas em 2020 as Festas não se realizam. Relembramos que as Festas de Lisboa foram canceladas, pelo que não se realiza este ano a tradicional procissão de Santo António, nem os casamentos e marchas. Arraiais populares e desfiles não serão autorizados”, escreveu.

Agora, na segunda-feira, 1 de junho, surgiu uma retificação, acompanhada de explicação, d’ A Voz do Operário. Novamente numa publicação no seu Facebook, a associação diz que não será um arraial, nome que causou confusão —mas sim petiscadas ao ar livre, com todas as regras, do distanciamento à desinfeção, “escrupulosamente” cumpridas.

“Tendo surgido dúvidas quanto à utilização do nome ‘arraial popular’, gerador de confusão devido ao cancelamento dos arraiais promovidos pelo Município de Lisboa, acrescidas pelo facto de terem sido agora adiadas algumas vertentes do desconfinamento na Área Metropolitana de Lisboa, decidimos alterar a designação do evento que vamos promover n’ A Voz do Operário para ‘Petiscadas Populares'”, começa por explicar a associação.

E adianta: “esta iniciativa tinha e tem apenas a natureza de atividade de restauração, destinada aos sócios d’ A Voz do Operário e acompanhantes, encerrando às 23 horas”.

No cartaz das petiscadas é possível ver que haverá sardinhas, caracóis, caldo verde e bifanas, sendo também adiantado um número para reservas. Como se tratasse de um restaurante ao ar livre.

Estas petiscadas estão sujeitas a normas e regras sanitárias, “que a Voz do Operário já avançou que cumprirá escrupulosamente, nomeadamente: limitação do número de presentes no espaço com recurso a reserva prévia; distanciamento entre mesas, desinfeção regular dos locais, disponibilização de pontos de desinfeção de mãos, utilização de loiça e talheres descartáveis”.

O grupo lembra ainda reconhecer perfeitamente que “estão em vigor restrições à realização de iniciativas, bem como normas que as entidades organizadoras” devem assegurar. “Como foi sempre anunciado, a Voz do Operário irá cumprir as normas de segurança previstas para um evento desta natureza, tal como estão já a fazer diversos setores da sociedade, numa tentativa de recuperar responsavelmente a vida: restaurantes, teatros, comércio, entre outros”, adianta.

A Voz do Operário refere ainda saber que outras associações, coletividades e sectores estão investidos em organizar idênticas celebrações dos Santos Populares e congratula todos os envolvidos pelo esforço de não deixar as populações sozinhas, cumprindo as normas necessárias à segurança de todos.

“Sabemos que é possível caminhar para uma retoma de alguma normalidade, cumprindo as regras estabelecidas pelas autoridades competentes. Esse é o nosso compromisso”, escreve-se no post.

E adianta-se: “A Voz do Operário compreende o receio das pessoas e valoriza o enorme esforço coletivo que tem vindo a ser levado a cabo no sentido de ultrapassar este momento tão delicado. É também nesse esforço que se insere a sua ação responsável e confiante em todos”.

A associação lembra ainda que é uma Instituição com 137 anos, “que atravessou enormes desafios. Este foi mais um, no qual não deixou de cumprir o seu papel histórico: foi imediata a aplicar um sistema de ensino à distância (garantindo que colmatava carências tecnológicas no caso de alguns alunos, para assim acederem em condições de igualdade); teve em funcionamento permanente os seus serviços de refeitório social e apoio domiciliário, que durante este período significaram, para muitas pessoas, o único apoio; produziu voluntariamente milhares de máscaras que doou a hospitais do serviço nacional de saúde”.

Petiscadas populares n' A Voz do OperárioTendo surgido dúvidas quanto à utilização do nome “arraial popular”, gerador…

Publicado por A Voz do Operário em Segunda-feira, 1 de junho de 2020

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