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Super Mario é protagonista em novo kit da LEGO que funde mundo digital e real

A NiT entrevistou Jonathan Bennink, coordenador da nova linha que foi criada em conjunto com a Nintendo.
O jogo está em pré-venda.

Chama-se LEGO Super Mario e é o novo kit da marca. Porém, é bem diferente de tudo aquilo a que a LEGO nos tem habituado. É que além do protagonista ser a famosa personagem da Nintendo, empresa que colaborou neste novo jogo, este é o primeiro kit que funde o mundo digital interativo e os famosos tijolos de construção reais LEGO.

O conceito é bastante simples: o pack inicial traz várias peças possíveis de montar de diferentes maneiras, bem como um boneco Super Mario que reconhece as diferentes cores das construções e dos vários adereços, e o boneco com componentes digitais (os olhos e a barriga são pequenos ecrãs) consegue apanhar moedas virtuais, tudo isto com a emissão dos sons do icónico jogo.

O coordenador desta nova linha é Jonathan Bennink, 35 anos, nascido e criado na Holanda e que trabalha na LEGO há seis anos. A NiT entrevistou Bennink para perceber todo o processo inovador deste projeto, como obter a melhor experiência de jogo e se este é o princípio de uma nova gama LEGO.

Como foi o processo de criação do LEGO Super Mario?
Começámos há quatro anos com o briefing de “criar algo que só o Grupo LEGO e a Nintendo pudessem criar juntos”. Algo que quando olhássemos, pensássemos imediatamente “sim, isto é tão LEGO e tão Nintendo.” Significa que o ADN de ambas as marcas tinha de estar igualmente representado. Cedo criámos um protótipo da figura LEGO Mario interativa e todos nos apaixonámos pela personagem. Criámos depois vários jogos para as crianças, mas faltava o ADN LEGO. Era apenas uma personagem interativa. Depois de aproximadamente um ano, tivemos a ideia de lhe construir níveis e foi aí que conseguimos o ADN LEGO, quando podes construir o que quiseres e entra a tua imaginação. Mais tarde, isto transformou-se em apanhar moedas dos níveis, que têm de ser colecionadas num curto espaço de tempo e nos sets de expansão para dar a experiência dos níveis.

Foi um desafio trazer uma personagem dos videojogos para o mundo LEGO?
Sim. Não era possível reproduzir em LEGO todas as mecânicas do jogo. Num jogo podes limitar os jogadores a ir a certos locais ou a desbloquear algumas coisas. Com o LEGO, podes e deves fazer aquilo que quiseres. O objetivo é que os jogadores se foquem no processo de construção e de jogar, mais do que na recompensa de terminar o nível. Esta é a razão para podermos gastar estas moedas em alguma coisa. De outra forma, o LEGO Mario seria apenas uma ferramenta para apanhar moedas e não um amigo com quem brincas, como é agora. Outra questão é que nos videojogos podes trazer os jogadores gradualmente para o teu mundo e explicar-lhes as mecânicas, mas nós não sabemos ou escolhemos o que as crianças vão construir primeiro. Descobrimos que é melhor recompensar os jogadores pelo bom comportamento do que os punir. Por isso, em vez de morrer quando Mario cai de uma plataforma ou se queima no fogo, perdes a capacidade de apanhar moedas por alguns segundos. Ou em vez de perder moedas quando tocamos nas Plantas Piranha, passamos a ganhar ainda mais moedas quando ficamos algum tempo sem lhes tocar.

Expansão Power Slide da Planta Piranha.

Que tipo de tecnologia foi posta na personagem e no jogo?
O Mario tem ecrãs nos olhos, na boca e na barriga. Tem também um sistema de som que toca a música, efeitos sonoros e fala com o jogador ao mesmo tempo. Este sistema de som é especialmente importante, ao fazer com que o Mario pareça vivo e ao trazer os icónicos sons de fundo dos jogos para as brincadeiras com o LEGO. Como podem ver no vídeo que publicámos, tem também um sensor ótico por baixo dos pés, para poder ler uma seleção da palete de cores LEGO e as peças decoradas para o efeito, os “tijolos de ação”. Estes têm um código de barras impresso, para que o Mario saiba onde está no nível e como apanhar moedas: no princípio, no fim, a derrotar um Goomba, a apanhar itens de um bloco ou quando está a lutar para se manter numa plataforma.

Qual foi a sua função na criação do LEGO Super Mario?
Desde o início que fui responsável pelo projeto do lado do grupo LEGO e o meu homólogo na Nintendo era Tezuka-San. No início tínhamos também uma pequena equipa de criativos e marketeers e juntos desenvolvemos o conceito. Depois de dois anos e meio, o conceito estava acabado e precisávamos de começar a desenhar os sets LEGO. Como concept manager, não tenho experiência nesta parte, por isso acrescentámos o que chamamos um physical lead designer à equipa.

Era fã de Super Mario em criança?
Muito. Durante toda a minha adolescência joguei Nintendo 64 e Gamecube e de vez em quando fazia uma pausa para ir para a escola [risos]. O meu jogo preferido de todos os tempos é o Mario 64, que estabeleceu o padrão para todos os jogos de plataformas 3D que viriam e eu adorei colecionar todas as estrelas.

Acha que este tipo de sets vai ser o princípio de uma nova experiência LEGO? Com outras personagens fora do universo Super Mario?
Temos essa esperança. Depois de quatro anos de desenvolvimento, estamos ansiosos para perceber primeiro se as pessoas gostam desta nova forma de brincar, por isso não estamos muito focados no futuro. Claro que não investimos este tempo todo para um só produto, por isso esperamos que, no futuro, possam surgir mais sets com esta nova maneira de brincar.

Expansão Batalha no Castelo de Bowser.

Acha importante construir este tipo de brinquedos para que as crianças possam brincar um pouco mais com brinquedos físicos do que com os digitais?
No grupo LEGO acreditamos que há espaço para todos os tipos de brincadeira. Adicionar tecnologia de forma intuitiva quando o principal foco ainda é a construção com tijolos LEGO é uma forma de mostrar às crianças como é divertido brincar com LEGO e ao mesmo tempo, manter os que já são fãs interessados. Trabalhámos arduamente na linha LEGO Super Mario para que a maioria das brincadeiras aconteça com os tijolos e não com a app. Mas também apreciamos o papel da app para dar updates, inspiração para novos níveis e pequenos vídeos para ensinar a jogar.

Pode explicar um pouco melhor como a app é utilizada para melhorar a experiência de jogo?
Assim que os jogadores estiverem prontos, o LEGO Super Mario pode ser jogado sem mais nada, mas para começar é preciso acesso à app gratuita. A app faz o update ao LEGO Mario para interagir com todos os sets e é também essencial para dar as instruções de construção e vídeos para ensinar a jogar. Principalmente os vídeos são cruciais para perceber o que fazer nos vários níveis e como apanhar moedas. Vamos adorar se as crianças conseguirem criar níveis a partir da sua imaginação, mas se ficarem sem ideias a app tem conteúdo para inspirar e criar novos e diferentes níveis. Este conteúdo é desenhado por designers da LEGO e da Nintendo e por fãs de todo o mundo, porque a app é também uma plataforma para partilhar as suas criações e pontuações.

Este set é para ser jogado por crianças de que idades?
Por todas as crianças fãs de LEGO ou do Super Mario, a partir dos seis anos. E somos todos crianças, certo?

O lançamento global do LEGO Super Mario está marcado para o dia 1 de agosto. Porém, o pack inicial já está disponível em pré-venda por 59,99€. O Power Slide da Planta Piranha irá custar 29,99€, enquanto que a Batalha no Castelo de Bowser terá o custo de 99,99€.

Jonathan Bennink.

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