Miúdos

A peça de teatro sobre a migração e os sonhos que todos os miúdos deviam ver

"Guardador de Sonhos" não tem texto. A história é contada através de música, gestos e emoções.
Paulo Quedas interpreta a única personagem.

Numa altura em que as crises mundiais e questões políticas levam milhões de pessoas a abandonar os seus países e começar novas vidas noutros locais, a companhia de teatro João Garcia Miguel decidiu apresentar uma peça que ajuda os miúdos a refletir sobre esta temática e sobre os sonhos que a acompanham pelo caminho.

Encenada por Rita Costa, de 33 anos, “Guardador de Sonhos” não tem diálogos. A história é contada pelos dois homens que estão em cima do palco, mas nenhum deles diz uma única palavra ao longo dos 45 minutos de peça. O ator, Paulo Quedas, usa objetos, expressões e gestos, enquanto o músico, Ricardo Martins, recorre a samplers e instumentos curiosos, como garrafas, frascos e partes do cenário.

Nos dias 29 de fevereiro e 1, 7 e 8 de março, a peça vai estar em cena no Teatro Ibérico, em Lisboa. Os bilhetes já estão à venda na Fnac e na Ticketline e custam 5€ por pessoa.

O guião da peça foi desenvolvido por Rita Costa e João Garcia Miguel, diretor artístico do espetáculo. “O trabalho de equipa acaba sempre por ser mais enriquecedor, já que traz visões diferentes, que nos fazem refletir ainda mais e, dessa forma, a história pode tomar um rumo bem diferente ao pensado inicialmente”, conta à NiT a encenadora.

Rita estreou-se como encenadora em 2018, com a peça “Diário de Um Migrante”, onde nasceu a personagem que inspirou o “Guardador de Sonhos”. O tema da migração repete-se nos dois trabalhos por ser “muito atual, ainda que muitas vezes ignorado”. Mas Rita explica que a peça vai além desta temática, explorando também “sonhos e como estes podem ser veículos de transformação e até a cura dos problemas do Homem e do mundo.”

Não existe texto e por isso a performance passa muito pela utilização de objetos, música, sons, luzes e até o próprio cenário. “O corpo tem uma capacidade incrível de se expressar, muito além da fala, e isso fica explícito nesta peça”, revela a encenadora sobre o trabalho do único ator em palco, Paulo Quedas. “O peso de um gesto, de uma reação, de uma expressão, podem ter um grande impacto e contar muitas histórias”.

Há vários objetos em palco.

Assim, a música ganha uma dimensão de destaque em “Guardador de Sonhos”, como indutora da ação, que desperta emoções e faz a ligação entre a personagem de Paulo Quedas, o “Guardador de Sonhos”, e o público. O músico Ricardo Martins conduz todo este aspeto com partes do cenário, que servem de instrumentos de percussão, além de frascos, garrafas e samplers com sons pré-gravados.

“O nosso objetivo central com a peça é levar os jovens a refletir sobre assuntos sérios, da forma mais adequada à sua faixa etária e aos seus interesses”, conta Rita. Este trabalho foi feito a pensar em miúdos a partir dos 6 anos, que, acredita, estão “cada vez mais exigentes e criteriosos nos conteúdos que vêem e escolhem”.

O protagonista de “Guardador de Sonhos” é um migrante e apresenta os sonhos como uma solução para criar um mundo melhor. Segundo a encenadora, “a migração está constantemente presente através do pensamento da personagem, na forma como ele se interroga sobre diversos temas”, sendo um deles o egoísmo e como as coisas mais negativas são muitas vezes provocadas pelos próprios homens.

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