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Saúde

Vegansexuais: há cada vez mais vegans a recusar ter relações com quem come carne

É uma tendência que está a ganhar adeptos todos os dias. E há um estudo que o comprova.
O termo foi cunhado por Annie Potts.

“Não gostava de ter intimidade com alguém cujo corpo é literalmente feito de corpos de outros seres que morreram para o sustentar”. Foi assim que uma neozelandesa vegan justificou a escolha de não se envolver sexualmente com uma pessoa que coma carne, num testemunho prestado para um estudo conduzido por Annie Potts, doutorada em Filosofia e co-diretora do Centro Neozelandês de Estudos Humano-Animais da Universidade de Canterbury.

O estudo com o título “Consumo Livre de Crueldade na Nova Zelândia: um relatório nacional sobre as perspetivas e experiências de vegetarianos e outros consumidores éticos” foi publicado em 2007 mas voltou a ser falado, nomeadamente num artigo da revista “Visão” de 13 de outubro sobre os vegansexuais, um termo dado pela investigadora neozelandesa que se refere a pessoas vegan que optam por não ter relações com carnívoros.

Segundo esta publicação, o movimento está a crescer. Exemplo disso é a conclusão a que chegaram os responsáveis pelo site de encontros britânico SpeedDater — num evento organizado este ano. 56 por cento dos vegetarianos e vegans responderam que preferiam não conhecer alguém que comesse carne. 

Também Robb Masters, membro da Vegan Society e diretor do London Vegan Meet Up, tem essa perceção. Desde 2011, o grupo que fundou passou de 750 para nove mil membros. A ideia é juntar várias pessoas que queiram fazer amigos ou encontrar parceiros em eventos onde só se come comida vegan. Robb organiza à volta de 12 encontros por mês para responder à procura em crescimento.

Já no estudo de 2007, 63 por cento dos 157 participantes afirmou que gostaria de ter um parceiro que também se preocupasse com os animais. Uma mulher de 49 anos disse mesmo que não conseguiria beijar lábios que “permitem que pedaços de animais mortos passem entre eles”. 

“É mais simples dizer que um ambientalista não se envolveria com um explorador de uma mina de carvão”, explicou à revista “Vice” uma inglesa vegan. “Há muito mais gente a conseguir perceber esse conceito. Quando se trata de dieta e animais, parece que as coisas ficam muito confusas”, concluiu.