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Saúde

Novo estudo: fazer exercício reduz risco de morte, mesmo que só comece depois dos 40

Investigador português do Instituto Nacional de Cancro dos Estados Unidos explicou à NiT os resultados surpreendentes.
Exercitar-se é fundamental.

Ainda há boas notícias para quem tem passado mais tempo no sofá a assistir Netflix do que a queimar calorias no ginásio. Um novo estudo do Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos, divulgado a 8 de março, concluiu que nunca é tarde para começar a praticar exercícios regularmente e, com isso, ter uma vida mais duradoura.

O português Pedro Saint-Maurice Maduro, pós-doutorado de 35 anos, e os colegas investigadores com quem trabalha nos EUA queriam descobrir se os padrões de atividade física durante a adolescência, o início da vida adulta e a meia idade influenciavam o aumento ou a redução da mortalidade. O estudo científico que publicaram na plataforma científica “JAMA Network Open” analisou as informações de 315 mil adultos norte-americanos, homens e mulheres, entre os 50 e os 71 anos. Os participantes responderam a perguntas sobre o nível de atividade física praticada em quatro pontos diferentes da vida: quando tinham entre 15 e 18 anos, dos 19 aos 29, dos 35 aos 39, e dos 40 aos 61 anos.

“Em 1996, os participantes da pesquisa preencheram questionários sobre a regularidade e a intensidade dos exercícios físicos e foram acompanhados durante 14 anos pelo Instituto Nacional de Cancro dos EUA. Temos dados precisos sobre quem está vivo, de que forma morreram e em que data. Por isso, pudemos avaliar os benefícios desta prática para a saúde”, conta à NiT Pedro Saint-Maurice Maduro, investigador de epidemiologia de atividade física.

O estudo chegou a três conclusões principais e uma delas foi surpreendente. A primeira confirmação foi que as pessoas que disseram que se exercitavam de duas a oito horas por semana reduziram o risco de morte em 29 a 36 por cento, em comparação com aquelas que raramente ou nunca faziam exercício.

A segunda hipótese comprovada foi que pessoas que eram ativas na adolescência e no início da vida adulta, mas que reduziram as atividades depois de alguns anos, perderam os benefícios.

O terceiro resultado da pesquisa foi o mais revelador: quem não era ativo quando jovem, mas aumentou os níveis de exercício após os 40 anos, reduziu o risco de mortalidade em 32 a 35%. Ou seja, níveis bem semelhantes aos dos participantes ativos ao longo de toda a vida.

“Com base nos nossos resultados, a mensagem passada é que faz bem para a saúde manter o estilo de vida ativo durante toda a vida, independentemente da idade. Mas, se chegar aos 40 anos e ainda não tiver o costume de se exercitar, pode começar agora e terá os mesmos benefícios para a saúde.”

Apesar de não serem números tão significativos, o relatório também revelou que as pessoas que sempre praticaram desporto reduziram em 14 por cento o risco de desenvolver cancro. Já os que começaram entre os 40 e os 61 anos, têm um risco 16 por cento menor, quando comparados com o grupo de referência.

A pesquisa não perguntou aos participantes quais os tipos de exercícios praticados ao longo dos anos. A maioria seguia as recomendações do governo norte-americano para manter o corpo ativo pelo menos 150 minutos por semana.

Carregue na galeria e veja as dicas de exercícios que pode fazer ao longo da semana para manter-se saudável e ganhar mais uns anos de vida.