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Saúde

Vacina do coronavírus poderá ser tão eficaz como a do sarampo

As poucas mutações sofridas pelo vírus podem indicar que uma eventual vacina seja altamente eficaz e duradoura.
Aumenta a esperança numa vacina

Desde o surgimento do novo coronavírus que o potencial de mutação era um dos grandes pontos de interrogação no caderno de todos os cientistas: como irá o vírus mudar à medida que se vai espalhando pelo mundo, a saltar de hóspede em hóspede? Será que se vai tornar mais letal? Mais infeccioso? Ou tenderá a reduzir a sua eficácia? Agora, os primeiros estudos indicam que o código genético do SARS-CoV-2 é relativamente estável — e esse pode ser um ótimo sinal.

É, desde logo, uma boa e má notícia. Tudo indica que não se irá tornar mais letal do que se apresenta até ao momento, embora deva manter a taxa de mortalidade responsável por mais de 20 mil mortos em todo o mundo, um número que terá tendência para aumentar. Só que esta característica recém-conhecida pode ser o primeiro passo seguro na erradicação da doença através de uma vacina.

A comparação é feita, desde logo, com o vírus da gripe. “A gripe tem um truque na manga que os coronavírus não têm — o seu genoma divide-se em diversos segmentos. Quando dois vírus da gripe estão na mesma célula, podem trocar alguns desses segmentos, criando uma potencial nova combinação de forma instantânea. Foi assim que nasceu a gripe suína, o H1N1”, explica Benjamin Neuman, virologista da Universidade A&M, no Texas, em declarações ao “The Washington Post”

As análises feitas por diversos cientistas indicam que embora se verifiquem algumas mutações, o SARS-CoV-2 permanece intacto em quase todos os locais onde foi detetado. Por exemplo, investigadores islandeses revelaram ter encontrado cerca de 40 mutações do novo coronavírus que, embora não acarretem grandes modificações na sua forma de atuar, podem ajudar a traçar o caminho que percorreu e quem infetou, até chegar ao momento atual.

Dos EUA, chegam estudos que comparam o código genético do vírus analisado em Wuhan, na China, e depois em território norte-americano — e que indicam que existem apenas quatro a dez diferenças genéticas entre as estirpes.

“É um número relativamente baixo de mutações para um vírus que passou por tantas pessoas. Atualmente, a velocidade de mutação do vírus sugere que uma vacina desenvolvida para o SARS-CoV-2 poderá ser uma vacina única, ao contrário das vacinas que têm que ser refeitas todos os anos, como a da gripe“, conclui Peter Thielen, geneticistas molecular na Universidade John Hopkins.

Problema: a vacina vai demorar, conforme a NiT já tínha explicado. O lado positivo é que quando ela finalmente chegar, possivelmente entre 12 a 18 meses, existe uma alta probabilidade de que será eficaz e de que dará imunidade por muito tempo, à imagem das vacinas do sarampo e da varicela.