Saúde

“The New York Times” ensinou as noivas a emagrecerem (mas ninguém gostou)

O artigo foi acusado de body shaming por promover a perda de peso antes do dia de casamento.
A Internet revoltou-se.

Era uma peça que prometia ajudar as futuras noivas a estar “no seu melhor no dia especial”. Ou seja, o artigo da revista americana “The New York Times” recomendava exercícios ideais para as mulheres conseguirem uma silhueta bonita no vestido de casamento — mas foi rapidamente alvo de críticas. Os leitores consideraram a peça “insultuosa”, por promover comportamentos tóxicos em relação ao corpo e padrões de beleza inalcançáveis. 

“Como alguém que se vai casar daqui a seis semanas, estou farta de que falem do meu corpo como se fosse um objeto: façam melhor”, pode ler-se num comentário à publicação no Twitter. 

Em resposta à polémica, o jornal foi rápido a fazer alterações na peça. Começou por mudar o título para “Vai Casar? Fique Forte”, em alternativa ao original “O Exercício Perfeito para a Sua Silhueta no Vestido de Casamento” — e apagou algumas das secções mais controversas. Mas o mal já estava feito. A nova versão, atualizada a 8 de agosto, continua a ser considerada por profissionais de saúde uma forma de body shaming, que pressiona as mulheres a perderem peso.

Em conversa com a revista americana “Insider”, a personal trainer Kelly Coffey apontou alguns dos elementos principais do artigo que podem ser nocivos para a saúde física (e mental) dos leitores. Apesar de evitar promover a perda de peso de forma explícita, o texto fá-lo de forma implícita, ao recomendar a “redução da cintura” e um “maior gasto calórico”.

Outra das críticas vai para a natureza sexista do artigo, que se direciona especificamente às mulheres — e não aos dois géneros — impulsionando as ideias culturais de que os elementos do sexo feminino se devem esforçar mais para ser “aceites” de acordo com os padrões da sociedade, explica Charlotte Markey, professora de psicologia na Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos, que estudou distúrbios alimentares.

Coffey acrescenta que os estilos de vida promovidos para conseguir um corpo perfeito para o casamento não são sustentáveis, por serem difíceis de manter a longo prazo, e roubam às noivas “a alegria e o entusiasmo” que devem sentir no dia de casamento. O artigo do “The New York Times” avisa ainda as leitoras para terem “cuidado” e não ficarem com as costas “demasiado largas” com a musculação.

Jodi Rubin, uma assistente social certificada em distúrbios alimentares sublinha que o mais importante é mesmo escolher um vestido em que as noivas se sintam bem como são: “Há uma ideia de que o casamento vai ser perfeito se a aparência estiver perfeita” mas o que importa é “casar com a pessoa que se ama, rodeada pelas pessoas de quem mais gosta”, conta também à “Insider”.

Esta não é a primeira vez que surgem métodos polémicos para ajudar as noivas a estarem em forma para o casamento. Em 2017, a NiT alertou para os perigos de uma dieta de emergência de cinco dias que se estava a tornar tendência no Brasil. 

“Basicamente esta dieta aposta em alimentos ricos em fitoquímicos, com propriedades termogénicas e gorduras boas. Mais: incentiva a redução de alimentos com glúten e lactose, e incentiva o consumo de frutas e vegetais”, começou por explicar na altura à NiT Bárbara de Almeida Araújo, nutricionista e autora do blogue “Manias de uma Dietista“.

Isto quer dizer que, durante aqueles cinco dias, pode apenas comer frutas, vegetais, frutos secos, carnes magras e peixe. No final, já poderá comer quinoa e aveia. Além destes alimentos, recomenda-se a introdução de chá verde, curcuma e gengibre, já que se tratam de alimentos com propriedades termogénicas, bem como a centelha asiática e cavalinha que ajudam a eliminar líquidos.

O que acontece ao seguir este plano? Segundo a especialista, pode de facto notar alterações no peso, mas à custa de água e não de gordura. “Mas mais que o peso vai, sobretudo, desinchar nestes dias.” Ou seja, vai ter menos volume.

“Esta dieta ajuda a desintoxicar o corpo e incentiva o consumo de alimentos de elevada qualidade nutricional, o que é um ponto a favor. Contudo, todos nós sabemos que muitas vezes, após dietas restritivas, os quilos a mais acabam por voltar porque regressamos aos velhos hábitos alimentares”, diz à NiT. O ideal é manter sempre um peso estável e uma alimentação equilibrada. Isto é, não nos devemos focar apenas na quantidade, mas na qualidade dos alimentos. 

Carregue na galeria para conhecer o polémico plano alimentar da dieta criada pela nutricionista brasileira Gabrielle Gonçalves.

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