Saúde

Série de Gwyneth Paltrow na Netflix acusada de ser um perigo de saúde pública

"The Goop Lab" é vista como uma "fonte de mitos e desinformação" que colocam em causa a evidência científica.
A atriz e empresária tem 47 anos.

Gwyneth Paltrow não tem sido notícia pelos melhores motivos. Depois de ter posto à venda uma bizarra vela com cheiro a vagina na sua loja online, é agora acusada de promover terapias perigosas com métodos duvidosos na “The Goop Lab”, uma série da Netflix. Desde a sua estreia, a 24 de janeiro, multiplicaram-se os pedidos para retirar a produção — que é acusada de ser um perigo para a saúde pública — da plataforma de streaming.

“A série foi criada para entreter e informar, mas não fornecemos aconselhamento médico”, pode ler-se no início de cada episódio — a primeira temporada tem seis partes.

O aviso revelador está associado ao que a atriz pratica na sua marca de lifestyle. Gwyneth Paltrow tem um histórico de conselhos duvidosos quando o assunto é bem-estar e autocuidado. Quando se soube que a Goop seria transformado em série, chegaram as primeiras críticas.

Cada episódio de 35 minutos analisa um determinado tópico, que pode ir desde orgasmos, ao consumo de cogumelos mágicos, uso de drogas psicadélicas ou à terapia do frio. Gravado na sede da sua marca de bem-estar, sob o olhar atento de especialistas, a equipa da empresária faz parte de pequenas experiências para testar os métodos.

Na introdução da temporada, Paltrow afirma que estará a dar aos espectadores “um mergulho muito mais profundo em alguns dos tópicos”. Porém, nas redes sociais lê-se que o problema é que o programa não é suficientemente profundo. A equipa fala levemente sobre cada tema, excluindo as visões opostas do debate. Só mostram um lado da história: a visão da Goop.

Simon Stevens, diretor-executivo do serviço público de saúde inglês (NHS), já reagiu e acusa a série de espalhar “mitos” e “desinformação”. Contudo, uma porta-voz da Goop, citada pelo site brasileiro da “BBC”, disse que são “transparentes ao abordar tópicos emergentes, que podem não ter respaldo científico ou estar em estágios iniciais de avaliação”.

O britânico criticou, especificamente, os produtos duvidosos e procedimentos suspeitos de bem-estar apresentados na série, enquanto discursava num evento académico a 30 de janeiro em Oxford, no Reino Unido.

“A Goop acaba de lançar uma nova série de televisão, na qual Gwyneth Paltrow e a sua equipa testam tratamentos como ‘facelift do vampiro’ e apoiam um massagista que afirma curar tanto traumas psicológicos agudos quanto efeitos colaterais, simplesmente ao mover as mãos duas polegadas acima do corpo do cliente”, diz.

E continua: “A marca dela vende repelente para vampiros, diz que filtro solar químico é uma péssima ideia, promove a lavagem intestinal e máquinas para enema de café, apesar de apresentarem riscos consideráveis ​​à saúde.”

Segundo o diretor-executivo da NHS, embora o termo “fake news” (notícias falsas) seja mais associado a temas como a política, por exemplo, ele também pode e deve ser aplicado neste caso, já que se trata de “um terreno fértil para charlatões, impostores e excêntricos” — grupo onde coloca Gwyneth Paltrow.

Recorde-se que, em 2018, a Goop fez um acordo para pagar uma multa de 145 mil dólares (cerca de 131 mil euros) por ter realizado afirmações sem evidência científica sobre os ovos vaginais de pedras e cristas que estava a vender. O processo foi movido pelo Departamento de Proteção ao Consumidor da Califórnia, nos Estados Unidos.

“A empresa dizia que os ovos de jade e quartzo rosa, inseridos no canal vaginal, eram capazes de equilibrar as hormonas e regular o ciclo menstrual, entre outras coisas”, relembra a “BBC”. Na altura, a Goop disse que não recebeu nenhuma reclamação dos consumidores sobre a descrição do produto.

Já o jornal britânico “HuffPost” diz que a série é apetecível e que, até certo ponto, nos convence, uma vez que há especialistas e terapeutas a confirmar os métodos. 

“Com uma equipa de cientistas reconhecidos ao seu lado, a agenda de Paltrow é mais convincente do que nunca — e é isso que a torna tão aterrorizante (…) Assista ao ‘The Goop Lab’ para se divertir, mas lembre-se de manter os pés no chão — esse lembrete precisa ser repetido a cada dez minutos”, garante.

Nas redes sociais, os fãs da atriz e espectadores do programa têm mostrado revolta e pensam mesmo em cancelar a subscrição na plataforma de streaming. No Twitter, por exemplo, a hashtag #saynotogoop (#diganãoàgoop, em português) é uma das mais mencionadas nos últimos dias.

“Diga não à Goop. Netflix, pára de apoiar essa pseudociência da Gwyneth Paltrow”, “Netflix, fui assinante durante 16 anos, mas estou a cancelar a subscrição porque não apoio uma empresa que promove pseudociência perigosa”, são apenas alguns dos comentários que se podem ler.

A primeira temporada da série “The Goop Lab” está disponível na Netflix e é aconselhada para maiores de 13 anos.

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