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Saúde

Sabia que a maior parte da comida que dá ao seu bebé está cheia de açúcar?

Segundo a pediatra Marisol Anselmo, o açúcar ingerido de forma excessiva pode tornar-se perigoso. Muitas mães não sabem ler os rótulos dos alimentos.

É preciso ter muito cuidado com as suas escolhas.

Xarope de milho, dextrose, frutorse, sacarose, galactose, xilitol, eritol, manitol ou sorbitol — existem 45 nomes diferentes para o açúcar. Portanto, a verdade é que este é um ingrediente omnipresente que, infelizmente, está um pouco por todo o lado, mesmo que esteja mascarado de xarope e caldo. O pior é que até na comida dos bebés consegue encontrá-lo.

Para Ana S. Guerreiro, 36 anos, autora do blogue “Mama Paleo” e do recente livro “Dieta Sem Dieta“, esta é uma realidade ainda pouco presente na sociedade. Aliás, sente mesmo que a decisão de não dar açúcar ao seu bebé é vista quase como “uma esquisitice, moda, um exagero ou extremismo”.

Mas sabia que os primeiros mil dias do bebé (desde a fecundação até ao segundo aniversário) são um período crítico e decisivo para o seu desenvolvimento, que irá ter impacto directo na sua infância e idade adulta?

Portanto, garantir uma boa alimentação nesse período é super importante. O problema é que Portugal tem vindo a ter lugar de destaque nas listas de países europeus com maior excesso de peso infantil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O açúcar ingerido de forma excessiva poderá ter consequências a vários níveis. As papilas gustativas aceitam naturalmente os sabores doces, de forma inata é mais fácil. Estimular o consumo de alimentos doces irá contribuir para o aumento da obesidade, sobrecarga do do trabalho pancreático e desregulação hormonal inerente a esse consumo excessivo, entre outras consequências”, alerta à NiT a pediatra Marisol Anselmo, que dá consultas no Hospital Particular do Algarve, em Faro, e na Clínica Health Secret, em Almancil.

O mais grave é que este ingrediente, que é visto como o grande vilão do século XXI, está praticamente presente em quase todos os alimentos que os pais dão aos seus bebés, por pensarem que são as melhores escolhas. Os iogurtes, papas e bolachas são os mais comuns.

Ana, que é também formada em Psicologia pelo Instituto Superior Dom Afonso II, só se apercebeu desta realidade quando o filho iniciou a alimentação complementar, aos seis meses (atualmente tem quase três anos).