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Saúde

Reino Unido obrigado a mudar radicalmente plano de combate à Covid-19

Um estudo do Imperial College London previu que morreriam 250 mil pessoas se se mantivesse a estratégia bizarra de imunidade de grupo.
As mudanças vão começar.

Enquanto por toda a Europa as pessoas se vão afastando de locais públicos, em Londres, no Reino Unido, a vida continua de forma normal para a maioria dos britânicos. Porém, a estratégia polémica do governo, radicalmente diferente do que tem sido aconselhado pela Organização Mundial de Saúde e adotado pelos países já afetados pelo coronavírus, parece ter chegado ao fim.

Com 1.543 casos registados de Covid-19 e 55 mortes, Boris Johnson mudou de discurso na conferência de imprensa desta segunda-feira, 17 de março. “Chegou a altura de todos pararmos de reduzir os contactos sociais e de deixar de fazer viagens desnecessárias. A partir de agora temos de ir mais a fundo”, afirmou o primeiro-ministro.

Afinal, o que é que aconteceu para o político querer fugir do plano de imunidade coletiva, o principal objetivo da estratégia? A resposta não é difícil: as estatísticas prevêem números assustadores. 

Segundo a “BBC“, esta mudança repentina de rumo do governo britânico surgiu depois de um grupo de cientistas do Imperial College London ter publicado, esta segunda-feira, 16 de março, um estudo que prevê três modelos diferentes de lidar com o novo coronavírus e as suas consequências.

A primeira é a supressão, um modelo seguido pela China que consiste em quebrar as cadeias de transmissão através do distanciamento social e do isolamento. Depois, vem a mitigação, a estratégia que o Reino Unido estava a seguir, que consiste em tentar conter o surto através dos cuidados prestados aos infetados com sintomas mais graves, aceitando que haja mais pessoas infetadas com sintomas ligeiros, conduzindo a uma imunidade pós-infeciosa. E, por fim, a não ação, que consiste em deixar que o vírus se propague livremente.

Quando estudaram a opção da mitigação, praticada até agora no Reino Unido, os cientistas do Imperial College London apresentaram números preocupantes: cerca de 250 mil mortes, tanto pelo novo coronavírus como por outras doenças que não seriam tratadas perante uma pressão enorme do sistema público de saúde.

Por agora, o governo britânico não vai ordenar o encerramento de eventos culturais e desportivos, mas garante que deixará, a partir desta terça-feira, de apoiar como sempre fez, os grandes eventos. Boris Johnson afirma, contudo, que apenas aplicará medidas extremas quando achar necessárias e no momento apropriado, voltando a afastar, por agora, o encerramento de creches, escolas e universidades. 

Aconselha-se ainda que a população idosa, a partir dos 70 anos, e as grávidas fiquem em isolamento nas próximas 12 semanas, uma vez que fazem parte dos principais grupos de risco.