NiTfm live

Saúde

Reino Unido: devia ser proibido comer nos transportes públicos?

Dame Sally Davies, ex-diretora geral da saúde de Inglaterra, propõe outras medidas polémicas.
Segundo a proposta, apenas a água seria permitida.

Colocar a saúde das crianças antes dos lucros das empresas — é isto que pede a médica Dame Sally Davies no seu último último relatório enquanto diretora geral da saúde de Inglaterra. Uma das medidas que sugere, e que está a causar polémica, é a proibição de comer nos transportes públicos, com exceção da água.

O grande objetivo da especialista é diminuir a obesidade no geral, tendo especial atenção aos miúdos. Com esta proposta, Sally Davies acredita conseguir combater o consumo de snacks poucos saudáveis. 

As sugestões da médica, que foram notícia nos últimos dias em meios de comunicação social como a “BBC” ou o “The Guardian”, incluem também a proibição da publicidade à fast food, o aumento dos impostos sobre os alimentos menos saudáveis e a colocação de água gratuita em todos os edifícios públicos e restaurantes.

Quero ver a saúde dos nossos filhos, e não os lucros das empresas, colocados na vanguarda da política do governo. É o direito de todas as crianças viverem num mundo que promove, e não prejudica, a saúde”, pode ler-se no documento, citado pelo jornal britânico “The Guardian”.

A médica recorda que, atualmente, dez em cada 30 crianças da escola primária têm excesso de peso ou obesidade. A cada semana, o equivalente a 13 autocarros escolares com miúdos, são internados no hospital sob anestesia geral por causa de cáries causadas pelo açúcar.

Mas estes não são os únicos problemas apontados por Dame Sally Davies. “Agora é normal ver pessoas a comer enquanto caminham pela rua. Há algumas décadas, não era. O tamanho das porções aumentou.”

A especialista diz, ainda, que focar na perda de peso sem alterar o ambiente alimentar “é como tratar as pessoas com cólera e enviá-las de volta para suas casas, onde a água ainda está contaminada com cólera”.

A “Public Health England” evidenciou no mês passado que os fabricantes de alimentos reduziram o açúcar em 2,9 por cento em 2018, depois de dois por cento em 2017, contra uma meta de 20 por cento até 2020.

Um outro estudo, publicado a 4 de setembro no “British Medical Journal”, revelou que os preços altos dos produtos de pastelaria também ajudariam a diminuir a obesidade. Só no Reino Unido, esta doença podia ser reduzia em 2,7 pontos percentuais apenas num ano se o valor dos produtos aumentasse 20 por cento, como a NiT noticiou na altura.

Para  chegar a estas conclusões, foram recolhidos dados de 36324 casas e as suas respetivas despesas de consumo, entre janeiro de 2012 e dezembro de 2013. Os investigadores usaram também indicadores do Inquérito Nacional de Dieta e Nutrição de 2544 adultos.

“O impacto de um aumento de 20 por cento no preço de lanches com alto teor de açúcar na compra de energia (caloria) foi maior em famílias de baixo rendimento classificadas como obesas e menor em famílias de elevado rendimento sem excesso de peso”, lê-se no relatório final.

Os autores relembram que a obesidade é um fator de risco importante em várias situações crónicas, incluindo cardiopatia, acidente vascular cerebral, diabetes tipo 2 e vários tipos de cancro.

Em Portugal, com o mesmo objetivo, foi publicada em março deste ano uma lei que restringe anúncios a produtos como chocolates, cereais, iogurtes, fiambre e refeições pré-feitas, junto a escolas, nas redes sociais, em determinados programas de televisão, rádio e até em parques infantis.