Saúde

Região de Lisboa e Vale do Tejo com 8 mil novos casos de Covid desde 1 de junho

Governo rebate críticas e considera que o trabalho de acompanhamento está a ser dificultado por moradas falsas ou desatualizadas.
A região de Lisboa e Vale do Tejo já contabiliza mais de 19 mil infetados.

Desde o início de junho, que os boletins diários da Direção-Geral da Saúde evidenciaram uma mudança radical na situação da Covid-19 no nosso País. Se antes era o norte que concentrava a maior parte dos casos, em junho o epicentro da pandemia mudou para a Grande Lisboa. Os números são claros: entre o dia 1 de junho e esta quarta-feira, 1 de julho, a região de Lisboa e Vale do Tejo somou um total de 8.048 novos casos de coronavírus. Um número que representa um aumento de 71 por cento desde o início de junho e que significa que, neste período, foram identificados, em média, 260 novos casos da doença nesta região do País.

Os números globais em Portugal ajudam a entender estas mudanças. A 1 de junho, o total de casos confirmados no País desde o início da pandemia era de 32.700. Esta quarta-feira, 1 de julho, o mais recente relatório da Direção-Geral de Saúde (DGS) revelava que, este número ascendia já aos 42.454.

No início de junho, o norte contabilizava 16.760 infetados. Esta quarta-feira, a região conta com 17.585 infetados. Ou seja, um aumento na ordem dos 4,9 por cento. Já em Lisboa e Vale do Tejo, durante o mesmo período o número de casos passou de 11.335 para 19.383 infetados, uma variação de 71 por cento.

Apenas o Algarve se aproxima de uma variação semelhante, na ordem dos 69%. No entanto, no Algarve estamos a falar de um número total de casos que se fixa nos 632 infetados, muito longe dos milhares de casos sinalizados na região da Grande Lisboa. E se recuarmos mais um mês no calendário, percebemos que esta tendência começou a evidenciar-se ainda antes de junho: a 1 de maio havia 24.897 casos confirmados. Na altura, o norte surgia destacado no número de infetados: 14.867, com Lisboa e Vale do Tejo com 5.939.

Entre 1 de maio e 1 de junho, Lisboa e Vale do Tejo contabilizou 5.396 novos casos. 

O caso das moradas falsas

Depois dos elogios ao País na fase de confinamento, têm aumentado as críticas durante a fase de desconfinamento. Na conferência de imprensa desta quarta-feira, 1 de julho, o Governo rebateu algumas críticas e deu conta das dificuldades com que as autoridades se têm confrontado em Lisboa para acompanhar pessoas infetadas.

“No caso de Lisboa, o trabalho tem sido dificultado pelo facto de haverem muitas moradas falsas ou pessoas que já não moram nos locais identificados”, apontou Jamila Madeira, secretária de Estado Adjunta da Saúde.

Mais casos, menos óbitos

Apesar da subida de números de casos, a verdade é que o último mês registou menos mortes por complicações resultantes do Covid-19 do que o anterior. Tal poderá refletir o aumento no número de testes mas também eventuais mudanças no perfil médio dos infetados — como se sabe, os mais idosos são mais vulneráveis ao novo coronavírus.

Apesar de Lisboa e Vale do Tejo ter assumido o lugar de destaque no número de casos, ainda é o norte que regista mais óbitos. A 1 de julho, os números da DGS referem um total no País de 1.579 óbitos desde o início da pandemia. São mais 155 óbitos dos que a 1 de junho. Apesar de tudo, menos de metade das 417 mortes por Covid-19 registadas entre 1 de maio e 1 de junho.

Em termos totais, o norte contabiliza nesta altura 819 óbitos desde o início da pandemia. Lisboa e Vale do Tejo regista agora um total de 475 vítimas mortais. O centro do país surge em terceiro, com 248 óbitos. Tanto os Açores como o Algarve registam um total de 15 óbitos, enquanto o Alentejo registou sete. A Madeira é agora a única região sem vítimas mortais.

Saliente-se ainda que, apesar do aumento de casos, há também cada vez mais pessoas a serem dada como recuperadas. O total de recuperados desde o início da pandemia é de 27.798. Destes, 8.246 foram dados como recuperados entre 1 de junho e 1 de julho.

A nível mundial, há agora cerca de 10,7 milhões de infetados. O número de vítimas mortais já supera os 516 mil. Os EUA são o país que lidera em casos (2,75 milhões) mas também em mortes (são já mais de 130 mil).

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