Saúde

Primeiro-ministro deu um pontapé na ciência: os antibióticos não combatem vírus

Era para ter graça, mas a analogia de António Costa na entrevista a Ricardo Araújo Pereira foi um fracasso. Uma farmacêutica explica à NiT porquê.

António Costa despiu o fato e a gravata, calçou um par de sapatilhas e sentou-se à mesa com Ricardo Araújo Pereira no programa da SIC “Isto é Gozar Com Quem Trabalha”. E logo na primeira resposta a uma provocação do apresentador, o primeiro-ministro teve um choque frontal com a ciência, ainda que em tom de brincadeira.

“A vacina é para ficarmos imunes aos vírus. Os antibióticos são para combater os vírus”, atirou a propósito da provocação de Araújo Pereira sobre a injeção de dinheiro do Estado no Novo Banco. Uma analogia que faria Alexander Fleming chorar de tristeza.

“Estamos a falar de coisas diferentes: o antiviral serve para tratar; a vacina para proteger; e o antibiótico não serve para nada neste contexto do vírus, exceto para, por exemplo, tratar pneumonias secundárias à infeção viral”, esclarece à NiT a farmacêutica Ana Sarmento.

Ponto assente: a injeção de capital no Novo Banco até pode ajudar a instituição, mas é certo que os antibióticos combatem o vírus. “Podem servir para tratar as pneumonias originadas pela doença, mas o que foi dito é que serviria para tratar uma infeção viral e isso é uma tontice”.

Qual é a diferença? “Os antibióticos são usados nas infeções bacterianas”, acrescenta a especialista, que frisa que “há até campanhas para promover o uso racional de antibióticos”, isto porque muitos teimam, erradamente, em usá-los em casos de “gripes e infeções virais”.

“As vacinas são diferentes. São medicamentos profiláticos, administrados para que a pessoa crie anticorpos e defesas para putativas infeções. Quando estiver em contacto com o vírus, o sistema imunitário será capaz de reagir de forma mais competente”, conclui.

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