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Saúde

“Seria uma medida inútil”. Porto rejeita cerco sanitário à região

O presidente da Área Metropolitana não gostou da ideia da Direção-Geral da Saúde, à qual sugere que se dedique a fazer mais testes.
Esta possibilidade não está a agradar toda a gente.

Esta segunda-feira, 30 de março, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, anunciou a possibilidade da criação de um cerco sanitário da região do Porto, o que não agradou a autarquia. Entretanto, o presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP) disse que rejeita liminarmente a ideia.

“Rejeitamos liminarmente essa hipótese. Não há razões [para um cerco sanitário] ao Porto. Sugiro que a DGS faça uma verdadeira ação de sensibilização aos condomínios porque, a par dos lares de idosos, são um foco de contágio na gestão as partes comuns. São potenciais focos que estão a ser desvalorizados”, disse à agência Lusa Eduardo Vítor Rodrigues.

Por outro lado, recomenda “ações de sensibilização concretas e práticas para que as limpezas aumentem e os focos de contágio sejam minimizados ao máximo. E acho que a DGS devia fazer testes, testes e mais testes”. “É esse modelo que resolve o problema”, acrescenta.

O também presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, concelho do distrito do Porto, mostrou-se surpreendido com o anúncio da DGS, uma vez que, de acordo com o que disse à Lusa, não foi consultado, algo que lamenta e que o leva a pedir “mais respeito institucional”.

“Surpreende-me que a DGS torne públicas medidas e ideias sem falar com os autarcas. Eu não fui consultado. A DGS tem de começar a comunicar um bocadinho menos e melhor. Há coisas que merecem o respeito institucional de quem no terreno está a lutar com todas as suas forças”, referiu o autarca, aproveitando para recordar o exemplo dos arquipélagos da Madeira e dos Açores. 

“Impuseram quarentena à chegada [às ilhas], mas isso não impediu que tenham casos. [O cerco sanitário] não faz sentido do ponto de vista técnico, nem do ponto de vista prático da organização das cidades”, referiu.

Também a Câmara do Porto disse ter sido surpreendida com o anúncio da diretora-geral da Saúde, apontando que “caso a medida, inútil e extemporânea, fosse tomada, tornaria impossível o funcionamento de serviços básicos da cidade, como a limpeza urbana (cuja maior parte dos trabalhadores não reside na cidade), como a recolha de resíduos (cuja LIPOR fica fora da cidade), como o abastecimento e acessos a dois hospitais centrais (Santo António e São João) estariam postos em causa”.

Recorde-se que a região do norte é a mais afetada pelo novo coronavírus. Segundo o último boletim da DGS, o Porto é a cidade com mais casos (941). Na lista dos dez concelhos com mais infetados, cinco pertencem ao grande Porto: Vila Nova de Gaia (344), Maia (313), Gondomar (276), Matosinhos (295) e Valongo (202).