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Saúde

Portugueses não acreditam que o consumo de carne faça mal ao ambiente

Um estudo conduzido pela Marketest mostrou que 22,1 por cento dos consumidores rejeita essa teoria.
13,3% já não consome.

Uma análise recolhida pela Marktest entre 3 e 7 de outubro mostrou que 93,7 por cento dos portugueses acredita nas alterações climáticas, mas grande parte não crê que o consumo de carne seja prejudicial ao ambiente.

À pergunta “até que ponto deixar de consumir carne de vaca terá impacto nas alterações climáticas?”, 22,1 por cento dos inquiridos respondeu “nenhum”, numa escala de dez pontos onde 61,6 por cento das respostas se posicionaram entre zero e cinco. 

No entanto, 32,2 por cento dos participantes admitiu reduzir a quantidade de carne de vaca que consumia, um número que foi especialmente elevado na faixa etária entre os 16 e os 24 anos (48,1 por cento). O inquérito revelou ainda que 13,3 por cento dos portugueses já não consome carne de vaca.

O Relatório Planeta Vivo, publicado em outubro do ano passado, por exemplo, garante que vamos precisar de mais 2,2 planetas para sobrevivermos se continuarmos com o estilo de vida atual. Porém, o estudo que criou maior impacto foi publicado, também naquele mês, no prestigiado jornal científico “Nature“, tal como a NiT noticiou. A mensagem foi direta: o mundo precisa de reduzir substancialmente a quantidade de carne que consome. Caso contrário, podemos assistir a um colapso climático global.

Os investigadores explicaram, como já tinha acontecido em estudos anteriores, que o consumo de carne e a forma como ela é produzida tem um impacto direto no ambiente e no aquecimento global. Os gases produzidos pelas estufas e pelos próprios animais provocam vários problemas ambientais, como desflorestação, seca e aumento do nível dos oceanos.

Que tipo de alimentação devemos ter? A solução pode ser simples: diminuir a quantidade de carne que consome e apostar mais em legumes, leguminosas e outros alimentos cuja produção não prejudique o ambiente.

Na prática, todos os países teriam de consumir menos 75 por cento de carne de vaca, 90 por cento menos de carne de porco e metade do número de ovos. Por outro lado, deve-se triplicar a produção de feijão e de leguminosas e quadruplicar o consumo de nozes e sementes.

Além do consumo, será necessário tomar medidas no que diz respeito à produção dos alimentos. Isto passa por evitar os fertilizantes químicos, incentivar a produção em países mais pobres e aumentar as reservas de água universais são outros pontos fundamentais. Na Holanda e em Israel, por exemplo, já foi limitado o uso de fertilizantes químicos e há um maior controlo da água.