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Saúde

Portugal entrou na fase de mitigação — e é isto que muda no combate à Covid-19

É a terceira mais grave de resposta à doença e é ativada quando há transmissão comunitária.
É a terceira mais grave.

A ministra da Saúde, Marta Temido, já tinha feito o aviso a 11 de março: que a fase da mitigação — o momento seguinte à contenção — estava “por horas ou dias”. E assim foi. Ao início da tarde desta quarta-feira, 25 de março, a diretora-geral da Saúde disse que Portugal passaria para essa fase a partir da meia-noite do dia seguinte, 26.

“A transmissão já é comunitária e por este motivo vai entrar um novo plano para abordar a Covid-19. Vamos passar das medidas da fase de contenção para as medidas de fase de mitigação. Como em todas as mudanças, a fase de transição pode ter alguma turbulência”, revelou Graça Freitas em conferência de imprensa.

Como a NiT já tinha avançado, esta é a fase mais crítica da doença, sendo colocada em prática quando as medidas de contenção já não são suficientes para diminuir a propagação do vírus. 

A mitigação é ativada quando há transmissão local, em ambiente fechado, e/ou transmissão comunitária. Em Portugal, ambos estão a acontecer, sendo que a primeira tem vindo a verificar-se nos lares de idosos, que são uma das grandes preocupações da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Ministério da Saúde.

Com a certeza de que esta mudança será feita com alguma turbulência, como diz Graça Freitas, já foram avançadas algumas das medidas a tomar neste terceiro momento de resposta ao novo coronavírus,

Segundo a DGS, nesta fase, os doentes ligeiros ficam em casa; os moderados vão aos centros de saúde; os graves, mas não críticos, são encaminhados para os hospitais; e aqueles em estado crítico são internados. No nosso País, até à data de publicação deste artigo, há 276 pessoas internadas, sendo que 61 estão nos cuidados intensivos.

Sabe-se, também, que os centros de saúde, assim como os hospitais, terão de dispor de áreas dedicadas para tratar doentes com a Covid-19. Uma espécie de sala de quarentena, ou isolamento, como já acontece em várias unidades.

Espera-se esforço de todas as partes para ultrapassar esta pandemia.

Nos hospitais com serviços de pediatria, “poderá ser adequado a reorganização dos serviços” para “dedicar unidades hospitalares exclusivamente ao tratamento de doentes com Covid-19 em idade pediátrica, após ser esgotada a capacidade de resposta dos hospitais de referência identificados para o tratamento dos doentes Covid-19 em idade pediátrica”, disse ainda a diretora-geral da Saúde.

Durante a fase de mitigação, os testes de despistagem ao novo coronavírus serão feitos a pessoas com suspeita de infeção. Portanto, que apresentem os sintomas conhecidos desta doença, como tosse persistente ou crónica agravada, febre e dificuldades respiratórias.

Caso não seja possível testar todos as pessoas com sintomas, a DGS fará uma segunda triagem. Os prioritários serão os doentes com critérios de internamento hospitalar; seguem-se os recém-nascidos e as grávidas; e, por fim, os profissionais de saúde com sintomas.

A cadeia prioritária continua com os doentes com problemas crónicos (como asmáticos, insuficientes cardíacos, diabéticos, doentes hepáticos ou renais crónicos, pessoas com doença pulmonar obstrutiva crónica e doentes com cancro) ou pessoas com imunidade mais frágil; e as pessoas em situação de maior vulnerabilidade, como residentes em lares ou que estão em unidades de convalescença.

No último lugar da lista, estão ainda as pessoas em contacto com próximo com estes doentes. Para aliviar os hospitais, têm vindo a ser criados centros de rastreio e hospitais de campanha. Lisboa, Porto, Viseu e Algarve são algumas das cidades que já dispõem destes espaços, que devem chegar entretanto a outras zonas do País.

No boletim da DGS referente a quarta-feira, 25 de março, registavam-se 2995 infetados, 43 mortes e 22 pessoas recuperadas. O relatório somava ainda 13.624 sob vigilância e 1591 a aguardar os resultados laboratoriais.