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Saúde

Por favor, pare de usar os cubos de caldos — pela sua dieta e saúde

Meio cubo contém metade do sal que pode consumir por dia. Mas há mais riscos.
Atenção. Muita atenção.

Já toda a gente, pelo menos uma vez, usou preparados de caldos para a confeção de um prato. É uma prática comum em Portugal e não só. Este produto é conhecido por dar melhor sabor a várias receitas e ser mais prático, já que junta tudo o que é necessário — desde o sal até à quantidade de legumes. Na prática, significa uma ameaça para a dieta e para a saúde.

Segundo a nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida, autora do blogue NiT “Loveat”, há uma coisa de que nos devemos lembrar mesmo antes de olhar para o rótulo: trata-se de um produto ultraprocessado, o que quer dizer que é um alimento que não provém diretamente da natureza e que, de alguma forma, sofreu processos de transformação.

Este tipo de produtos também se distingue dos restantes por terem um prazo de validade mais longo e, na maioria das vezes, por serem mais baratos. No entanto, estas vantagens têm um custo.

“Os preparados para caldos contêm uma maior quantidade de açúcares, gorduras, sal e de ingredientes artificiais como os aditivos alimentares, responsáveis por dar cor (através de corantes) ou maior durabilidade (através de conservantes), por exemplo”, alerta à NiT a especialista.

Se precisa de mais exemplos de produtos à venda nos supermercados que fazem parte do mesmo grupo, o que não faltam são nomes: refrigerantes, margarina, salsichas, bebidas energéticas, enchidos, refeições prontas a comer, bolos de pastelaria, entre muitos outros. De acordo com a nutricionista, além de possuírem um perfil nutricional pouco interessante e desequilibrado, estes alimentos têm um impacto ambiental significativo, uma vez que implicam custos ambientais mais elevados do que um produto não processado.

Este tipo de produtos influencia também a saúde humana. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o consumo de produtos ultraprocessados está associado à obesidade ou a fatores relacionados com a doença (como a percentagem de gordura abdominal); ao aumento de risco de doenças cardiovasculares e doenças metabólicas (como diabetes tipo 2) e de aparecimento de alguns cancros; à depressão; aos distúrbios gastrointestinais (como síndrome do cólon irritável); à diminuição da eficácia do sistema imunitário; e ao aumento do risco de mortalidade precoce.

E, sim, é exatamente o que está a pensar: os preparados para caldos estão dentro deste grupo de produtos. Eles estão à venda sob a forma de cubos concentrados, pó ou granulados, sendo que a primeira é a mais popular atualmente. Os sabores também variam, desde carne e galinha a legumes, tomate e caril, por exemplo.

Não existem estudos sobre este tipo de produtos. Porém, bastou uma análise rápida da lista de ingredientes feita pela nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida para perceber que todos os caldos industrializados têm uma coisa em comum: os primeiros ingredientes que surgem são sal e gordura de palma — lembre-se que, no rótulo, os ingredientes se encontram por ordem decrescente, portanto, o que está em primeiro lugar é aquele que se encontra em maior quantidade.

Elimine ou modere o consumo deste produto.

“É verdade que o sódio é um mineral essencial ao nosso corpo, mas tudo deve estar em equilíbrio. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que o consumo adequado de sal é de cinco gramas por dia (duas mil miligramas de sódio), o que equivale, aproximadamente a uma colher de chá. Em cada meio cubo de preparado para caldo de carne existem 965 miligramas de sódio igual, ou seja, cerca 2,5 gramas de sal. Isto significa que apenas meio cubo de produto já completa 50 por cento do que pode consumir de sal por dia”, alerta a autora do blogue “Loveat”.

Uma vez que o sal está presente em tantos outros alimentos ingeridos ao longo do dia, é fácil ultrapassar a quantidade aconselhada pela OMS. E este ingrediente não é a única preocupação.

“A quantidade de gordura presente neste tipo de produtos ultrapassa (e muito) as doses recomendadas de gorduras saturadas (gorduras estas que estão associadas ao aumento do risco de doenças cardiovasculares). Vejamos: o recomendado é que por cada 100 gramas de qualquer produto alimentar, o valor de gorduras saturadas não ultrapasse os 1,5 gramas. Ao analisar a tabela nutricional de um preparado para caldo de carne, por exemplo, verificamos que por cada 100 gramas de produto há 13 de gordura saturada.”

Os caldos de arroz e legumes contém menos gordura quando comparados com as versões de carne e galinha mas, ainda assim, são valores que se encontram completamente fora do que é recomendado.

O rótulo contempla, ainda, muitos outros ingredientes artificiais que nada de bom trazem para a saúde ou para a dieta. Porém, segundo a especialista, há um específico que requer especial atenção: Glutamato Monossódico. É que este aditivo tem como principal função intensificar o sabor dos produtos ou pode ser usado como substituto do sal.

Mafalda Rodrigues de Almeida garante que “o seu consumo pode desencadear sintomas como palpitações, dores de cabeça, tonturas, náuseas, dores no pescoço, endurecimento muscular e fraqueza muscular”.

Todos estes malefícios do consumo deste tipo de produtos, ou de produtos ultra processados em geral, não aparecem quando consumidos de vez em quando — embora não façam falta na alimentação. O problema é quando eles são ingeridos em excesso. Não sentimos logo as consequências, mas elas acumulam-se ao longo dos anos no nosso corpo.

A sugestão da nutricionista é preparar um caldo caseiro (e muito mais seguro) a partir das sobras dos alimentos. Basta aproveitar os ossos de galinha, vaca ou peixe que sobraram, ou pegar em diversos vegetais, por exemplo, levar ao lume numa panela a cozer durante uma hora e congelar em pequenas cuvetes.

“Outra mudança que deve implementar no seu dia a dia é a forma como faz as compras para a sua casa. Não se esqueça de fazer a lista e de ler os rótulos dos alimentos — sempre que vir ingredientes que não conhece pense duas vezes antes de comprar”, aconselha.

Há outros nove alimentos, desta vez revelados pela nutricionista Maria Gama, autora do blogue NiT “Põe-te na Linha”, que também não devem estar na sua lista de compras — a sua saúde e a balança agradecem. Carregue na galeria para descobrir quais são.