Saúde

OMS: Europa pode enfrentar uma segunda vaga letal de Covid-19 no outono

O diretor regional da OMS para o continente afirmou que este é o momento para "preparações, não para as celebrações".
O regresso pode ser mais agressivo.

Os países europeus devem preparar-se para uma segunda vaga “letal” do novo coronavírus, porque a pandemia “ainda não acabou”. Quem o disse foi Hans Kluge, diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Europa, em entrevista ao jornal britânico “The Telegraph“.

Este aviso do especialista dirigiu-se aos países que começaram agora a relaxar as suas medidas de confinamento, sublinhando que este é o momento para “preparações, não para as celebrações”. Segundo Hans Kluge, apesar do número de casos no Reino Unido, França e Itália estarem agora a descer, isto não significa que a pandemia esteja a chegar ao fim.

O especialista reforçou que estamos a passar apenas por uma alteração do epicentro do surto na Europa, que começou pela região da Lombardia, em Itália, e está agora focado a este do continente, com destaque para a Rússia e os mais de 10 mil casos que tem registado consecutivamente por dia.

Hans Kluge disse ainda estar “muito preocupado” com uma segunda vaga da pandemia, que poderá chegar durante o outono e coincidir com surtos de outras doeças infeciosas. “Podemos vir a ter uma segunda vaga de Covid-19 e outra de gripe sazonal ou de sarampo”, disse.

Como comparação, recordou o que aconteceu com as pandemias ao longo dos tempos, como no caso da gripe espanhola, que surgiu em março de 1918 e regressou mais agressiva e letal no outono do mesmo ano.

A história ensinou-nos que, no que toca a pandemias, os países que não foram atingidos numa fase inicial podem ser atingidos numa segunda vaga. O que vamos ver em África e na Europa de leste? Eles estão atrás da curva. Alguns países dizem ‘nós não somos como Itália’ e, duas semanas depois, ‘boom’. Infelizmente, podemos ser atingidos por uma segunda vaga, por isso temos de ser muito cuidadosos”, alertou.

Por não haver ainda cura ou tratamentos, o especialista acredita que o relaxamento das restrições tem de ser feito de forma “gradual”, sabendo que “nada mudou”. “As medidas de controlo da doença têm de estar em vigor, essa é a mensagem chave”. 

Sobre o impacto que a pandemia está a ter na economia global, Hans Kluge recordou que “onde não há saúde, não há economia. É uma lição que não pode ser esquecida”.

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