Saúde

OMS avisa que o novo coronavírus pode aumentar o risco de transtornos mentais

Apesar dos riscos, as necessidades de saúde mental "não estão a receber a atenção necessária".
A saúde mental está debilitada.

Medo, stress, ansiedade e frustração são algumas das emoções negativas que o surto do novo coronavírus tem despertado em milhões de pessoas por todo o mundo. Perante esta situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu alertar os governos para não negligenciarem o apoio psicológico aos cidadãos, uma vez que o impacto da Covid-19 pode ser prejudicial para a saúde mental.

Citada pelo “The Telegraph“, Devora Kestel, responsável pelo Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias da OMS, disse que a situação pandémica atual, aliada ao isolamento, ao medo, à incerteza e à crise económica, pode causar distúrbios psicológicos. Kestel considera provável “um aumento a longo prazo do número e gravidade dos problemas de saúde mental”, devido ao “imenso sofrimento de centenas de milhões de pessoas” e aos custos económicos e sociais a longo prazo.

A questão principal para este alerta é que, apesar dos riscos, as necessidades de saúde mental “não estão a receber a atenção necessária”, provavelmente devido à gravidade da crise em vários setores sociais. Segundo Devora Kestel, os governos devem colocar a saúde mental “na frente e no centro” das suas prioridades e preocupações. Assim, a OMS pede aos países que não negligenciem os serviços de apoio psicológico e garantam a sua disponibilidade essencial durante estes tempos de pandemia.

Estudos e pesquisas em vários países já estão a mostrar o impacto negativo da Covid-19 na saúde mental – inclusive em Portugal. Os psicólogos dizem que as pessoas mostram-se cada vez mais ansiosas e já há um aumento significativo dos casos de depressão e ansiedade.

Para a OMS, entre os grupos de maior risco estão “o pessoal de saúde, por causa da ansiedade e do stress que estão a viver; crianças e adolescentes, mulheres em risco de violência doméstica, idosos, devido ao risco de serem infetados, e pessoas com condições mentais pré-existentes ou com outras doenças, para quem é mais difícil continuar a receber tratamento”.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, os sintomas de pânico e angústia aumentaram 35 por cento na China, 60 por cento no Irão e 40 por cento nos Estados Unidos. De acordo com um estudo do Canadá citado pela OMS, entre profissionais de saúde, quase metade dos inquiridos (47 por cento) declarou que precisava de apoio psicológico. Já na China, 50 por cento afirmou que sofria de depressão, 45 por cento de ansiedade e 34 por cento de insónia.

“Agora fica claro que os transtornos mentais devem ser tratados como um elemento central da nossa resposta e recuperação à pandemia de Covid-19. Esta é uma responsabilidade coletiva dos governos e da sociedade civil, com o apoio de todo o sistema das Nações Unidas. Uma falha em levar o bem-estar emocional das pessoas a sério levará a custos sociais e económicos a longo prazo para a sociedade”, disse Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

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