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Saúde

O estilo de vida dos portugueses está a matar o planeta

O novo alerta surge no Relatório Planeta Vivo deste ano, que foi publicado esta terça-feira, 30 de outubro. Se continuarmos assim, vamos precisar de mais 2,2 planetas para sobrevivermos.

A situação é grave.

Se os portugueses continuarem a manter o estilo de vida atual, vão precisar de 2,19 planetas para viver (ou estragar). É este o principal alerta do Relatório Planeta Vivo publicado esta terça-feira, 30 de outubro, pela organização não-governamental ambientalista WWF.

A Pegada Ecológica deixa Portugal no 66.º lugar a nível mundial, subindo sete posições face a 2016.

“A ligeira descida da pegada ecológica dos portugueses foi reflexo da crise económica, que criou uma oportunidade para os portugueses terem comportamentos mais amigos do ambiente. Agora é necessário continuar com um estilo de vida que tem menor impacto no Planeta fora de situações de crise”, explica Ângela Morgado, Diretora Executiva da Associação Natureza Portugal, que trabalha em associação com a WWF, no tal relatório.

E não deixa dúvidas de que os portugueses têm de ter um estilo de vida mais sustentável sob pena de se verem afetados não por uma crise económica, mas por uma crise ecológica sem precedentes. E isso irá pôr em risco a vida atual, a dos seus filhos e netos.

“Está na altura de mudar. Já não podemos adiar. A atividade humana está a empurrar os ecossistemas que sustentam a vida na Terra a um limite”, alerta.

No fundo, o relatório mostra a dura realidade: que as florestas, oceanos e rios estão em risco.

Os indicadores Índice do Planeta Vivo revelam, ainda, que as populações mundiais de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis diminuíram em média 60 por cento, entre 1970 e 2014. As principais ameaças às espécies estão diretamente ligadas às atividades humanas, incluindo perda e degradação de habitats e sobre exploração da vida selvagem. Ou seja, desde 1970 que mais de metade dos animais já desapareceram da terra, culpa dos humanos.

“Dos rios e florestas, a zonas costeiras e montanhas, o Relatório mostra que a vida selvagem diminuiu drasticamente desde 1970. As estatísticas são assustadoras, pois dependemos da natureza para nos alimentarmos, vestirmos e subsistirmos. Precisamos de criar um novo caminho que nos permita coexistir de forma sustentável com a natureza da qual dependemos. Vamos precisar da ação de todos”, explica o relatório.

É que a biocapacidade em Portugal é de 1,27 gha (hectares gobais) por pessoa e tem vindo a manter-se mais ou menos constante desde 1961.

A única parte boa

A WWF revela que o carbono, ainda que represente 57 por cento da Pegada Ecológica dos portugueses, foi a componente que mais diminuiu. Em 2004, correspondia a 63 por cento do valor total.

“A isto está naturalmente associado o consumo, mas também a alteração das fontes de produção de energia nacional, fruto da aposta nas energias renováveis”, adiantam.

Mas não deixam de alertar que “precisamos repensar com urgência como usamos e valorizamos a natureza — culturalmente, economicamente e nas nossas agendas políticas. Precisamos de pensar na natureza como bela e inspiradora, mas também como indispensável. Nós — e o planeta — precisamos de um novo acordo global agora”.

O Relatório Planeta Vivo 2018 destaca, ainda, a oportunidade que a comunidade global tem de proteger e restaurar a natureza até 2020.