Saúde

O discurso viral de Michelle Obama sobre aceitar e amar o corpo todos os dias

A antiga primeira-dama dos EUA revela que não julga aquilo que vê no reflexo do espelho e ensina as filhas a fazerem o mesmo.
Michelle é uma inspiração.

Michelle LaVaughn Robinson Obama é advogada e escritora norte-americana, mas tornou-se especialmente popular pela sua atitude enquanto 46.ª primeira-dama dos Estados Unidos, sendo a primeira afro-descendente a ocupar o cargo. Embora já não esteja na Casa Branca, continua a ter uma voz ativa na sociedade. O seu último discurso, durante a tour organizada por Oprah, a “Vision 2020: Your Life in Focus”, em Nova Iorque, tornou-se viral na Internet.

Publicado nas redes sociais a 12 de fevereiro e alvo de atenção da imprensa internacional nos últimos dias, pode ouvir-se a mulher de Barack Obama falar sobre o combate às expetativas da sociedade à medida que se envelhece, assim como da importância de cultivar uma imagem corporal positiva — uma parte diretamente ligada à nossa saúde mental.

Durante a entrevista, que ficou marcada pela sinceridade, Oprah perguntou: “O que mais aprecia no seu corpo hoje?” Michelle respondeu sem pensar duas vezes: “É meu, todo meu. E é um corpo saudável que funciona todos os dias, e eu tento muito não julgá-lo”. 

Apesar de aparentar ser algo mais fácil de dizer do que fazer, a ex-primeira-dama, que tem 56 anos, explicou que chegou a essa conclusão quando aceitou que o seu corpo era diferente e passou algum tempo a conhecê-lo.

Ao longo da vida, o corpo vai sofrendo alterações, seja pela puberdade ou pela passagem pela gravidez. Segundo Michelle, é fácil esquecer que a mudança corporal é normal, até porque “não somos máquinas”.

“É como dizer aos 20 anos que estou realmente chateada por não poder mais usar o meu macacão favorito a partir dos 10 anos. Isso é tão ridículo quanto aos 56 pensar que devo parecer como quando tinha 36 anos, ou para alguém me julgar assim, ou julgar uma mulher assim”.

Como primeira afro-descendente a ocupar o cargo de primeira-dama, sentiu um forte julgamento durante a campanha do marido e até na Casa Branca. Desde os braços ao rabo, relembra que todas partes da sua imagem foram comentadas publicamente. 

“As pessoas chamavam-me todo o tipo de coisas quando fazia campanha pelo Barack, como se fosse uma competição”. E continuou: “Homens falaram sobre o tamanho do meu rabo. Há pessoas que diziam que eu estava com raiva. Isso dói, e faz você questionar-se, o que as pessoas estão a ver? Essa coisa está lá? Olha, eu sou uma mulher negra na América. E sabe, nem sempre somos feitos para nos sentirmos bonitos. Portanto, ainda há aquela bagagem que carregamos, e nem todos podem identificar-se com isso.”

Michelle focou-se, também, na tal questão do envelhecimento. Disse, inclusive, que é necessário descobrir o equilíbrio necessário para garantir que cuidamos do corpo da melhor maneira possível e que aceitamos as suas mudanças. 

Quando se apercebeu de que as próprias filhas, Malia Ann Obama (21 anos) e Natasha Obama (18 anos), começaram a julgar os seus respetivos corpos, tentou transmitir a sua atitude. Ou seja, que apenas estavam a ficar mais velhas, a tornarem-se mulheres e que não deviam esperar que os seus corpos tivessem o mesmo aspeto para sempre. “Vocês não têm o corpo de uma criança”, terá dito às duas filhas.

A antiga primeira-dama admitiu que as mulheres podem ser muito duras com elas mesmas, especialmente quando se trata de envelhecimento e das mudanças corporais. Ela disse que também se julgou, mas que “precisamos de abraçar a mudança”. Caso contrário, é muito mais fácil entrar numa espiral de distúrbios alimentares e depressões.

A sua perspetiva de ter uma imagem corporal positiva e que os nossos corpos servem para um propósito maior do que a estética fez com que o seu discurso chegasse a milhões de pessoas, que apoiam esta ideia. Michelle defende a importância de um corpo e mente sãos — ambos estão diretamente ligados.

Nem sempre gosta de ir ao ginásio, mas fica feliz depois do treino

Em outubro de 2019, a mulher de Barack Obama disse que uma das suas resoluções para 2020 era fazer mais desporto. Já nessa altura alertava para a importância de cuidarmos de nós mesmos — uma mensagem que também destacou durante o mandato do marido enquanto presidente dos Estados Unidos da América.

“Quando se trata de nossa saúde como mulheres, estamos tão ocupados dando e fazendo pelos outros que quase nos sentimos culpados de dedicar esse tempo a nós mesmos”, disse. “Muitas mães vão entender isso, porque eu vi-me a cuidar das minhas filhas e não tinha tempo para mim, mas o meu marido estava na academia todos os dias. E eu fiquei tipo, bem, como é que estás a ir para a academia? Ele respondia: ‘Eu arranjo tempo para a academia’. Eu fiquei: “O quê? Como?”.

Em 2014, Michelle revelou à revista americana “People” que a sua rotina de exercícios mudou de pesos e cardio pesado para treinos de ioga ou outros que ajudem a manter a flexibilidade. ”Quero ser o mais saudável possível, porque quero aproveitar meus anos 70 e 80″, respondeu na altura.

No entanto, admite que nem sempre gosta de ir ao ginásio e que, por vezes, pode ser uma luta, embora o seu físico diga o contrário. Mas garante, também, que fica feliz depois do treino.

“Nem sempre é bom no momento. Mas, depois do treino, sempre fico feliz por ir à academia. Como vocês se cuidaram neste #SelfCareSunday?”, escreveu na legenda de uma fotografia publicada a 20 de outubro de 2019 na conta oficial de Instagram, onde mostra o seu treino abdominal aos seguidores.

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