Saúde

Noruega é um caso de sucesso na luta à Covid — e já prepara a reabertura total

Com apenas 209 mortos, o governo aponta para um desconfinamento sem limites até 15 de junho.
Os noruegueses vão voltar às esplanadas.

O cenário não podia ser mais distinto do país vizinho, a Suécia, cuja abordagem relaxada à pandemia parece não estar a funcionar. Bem longe dos mais de três mil mortos dos colegas nórdicos, os noruegueses registaram apenas 209 vítimas até ao momento e preparam-se para levantar restrições a partir de segunda-feira, 11 de maio. O plano passa por um desconfinamento total até 15 de junho.

Foi um dos primeiros países a decretar o isolamento da população e até ao momento, o país com pouco mais de cinco milhões de habitantes registou 8.055 casos de infeção. No pior dia, declarou apenas 399, um valor que na última semana baixou para perto dos 40 casos. No caso dos mortos, há mais de duas semanas que não há registo de mais de quatro mortes num único dia. A taxa de transmissão é de 0.49, bem abaixo do valor de 1, tido como bom indicador para o regresso à normalidade.

O plano passa por permitir agrupamentos privados de 20 pessoas, mantendo distanciamento social, e públicos até 50 indivíduos. Reabrem os locais de trabalho e recintos desportivos. A 11 de maio, escolas e universidades voltam a funcionar, até que a 15 de junho, se tudo correr bem, reabrem também ginásios e até o futebol volta aos estádios.

“Mostraram ser pacientes, agora é a nossa vez de vos dar algo em troca. É por isso que apresentamos este plano para reabrir a Noruega, um plano para retomarmos o nosso dia a dia”, explicou a primeira-ministra Erna Solberg.

O caso da Noruega é relativamente semelhante aos vizinhos nórdicos. Dinamarca e Finlândia apresentam números baixos e de aparente controlo da pandemia, quando comparados com a Suécia, o único país a optar por uma abordagem diferente e mais relaxada, sem confinamentos rígidos.

Com um número de mortos 14 vezes superior ao dos noruegueses, a estratégia sueca parece estar agora em causa, depois das críticas de diversos especialistas. Com mais de 25 mil casos confirmados e um dos piores registos mundiais de mortes por milhão de habitantes, o cenário é pouco animador.

Ainda assim, a aposta do governo sueco parece ser a longo prazo, assente numa esperança não assumida de que a imunidade de grupo possa travar o avanço da doença. Pelo menos enquanto os hospitais mantêm a capacidade para tratar todos os doentes.

“Percebemos que isto é uma maratona, vamos andar nisto durante muito tempo e temos que desenhar uma estratégia que possamos manter durante esse tempo”, revelou a embaixadora sueca para os Estados Unidos, Karin Olofsdotter.

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