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Saúde

Não sabe ler as datas de validade? Pode estar a fazer mal ao planeta

Sabe qual é a diferença entre "consumir até", "consumir de preferência antes de" e "consumir de preferência antes do fim de"?
As datas de validade são diferentes.

As validades impressas nas embalagens dos alimentos variam. Certamente já reparou que, por vezes, encontra “consumir até”, outras “consumir de preferência antes de”, ou ainda “consumir de preferência antes do fim de”. Segundo um estudo publicado pela start up Too Good to Go, os consumidores têm dificuldade em distinguir os três tipos de validade. Resultado: 20 por cento de desperdício alimentar nas suas casas e a dez milhões de toneladas por ano só em França.

A revista francesa “Science & Vie” escreveu um artigo em maio deste ano onde referia que, na Europa, o tratamento deste lixo gera mais de 170 milhões de toneladas de CO2 por ano, contribuindo para o aquecimento global. Por isso, saber as diferenças de cada uma das designações de validades pode ajudar, e muito, no combate ao desperdício. E isso traz benefícios não só à sua pegada ecológica, mas também à sua carteira. A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) criou uma campanha, em abril, para ajudar a combater o desperdício alimentar com o slogan: “Saber a diferença, faz a diferença”.

“De acordo com estudos europeus, o consumidor doméstico é responsável por cerca de 42 por cento do desperdício alimentar global, grande parte do qual poderia ser evitado”, lê-se no site da APED. Segundo o mesmo texto, “apenas 47 por cento dos cidadãos da União Europeia compreende o significado de ‘consumir de preferência antes de’ e só 40 por cento compreende o significado de ‘consumir até'”.

Existem duas formas de apresentar a validade. A data-limite de consumo surge com a designação “consumir até”; já a data de durabilidade mínima, é apresentada na forma “consumir de preferência antes de” e “consumir de preferência antes do fim de”.

Mas, afinal, o que significa cada uma das designações?

1. “Consumir até”

Indica a data até à qual o produto deve ser consumido. Aplica-se a produtos microbiologicamente perecíveis, como carne fresca, iogurtes, queijo fresco, saladas, sandes e refeições prontas. Estes produtos devem ser consumidos até à data indicada que é apresentada com dia, mês e, eventualmente, ano.

2. “Consumir de preferência antes de”

Data indicativa até à qual o alimento conserva as suas propriedades específicas. É aplicável a produtos microbiologicamente não perecíveis, como o azeite, as batatas fritas e os cereais, geralmente com validade inferior a três meses. Neste caso, podem ser consumidos após a data apresentada, desde que tenham sido conservados de forma adequada, conforme a indicada no rótulo. A data surge com a indicação do dia, mês e ano.

3. “Consumir de preferência antes do fim de”

É uma designação da data até à qual o alimento conserva as suas propriedades específicas. Aplica-se a produtos microbiologicamente não perecíveis (como os congelados e as conservas), geralmente com validade superior a três meses. Os produtos também podem ser consumidos após a data indicada, se respeitadas as regras de conservação indicadas nos respetivos rótulos. A data apresenta o mês e o ano.

4. “Produtos sem validade”

Existem produtos sem indicação de validade, como é o caso do sal, do açúcar e do vinagre. São produtos considerados conservantes naturais. De qualquer forma, também devem ser respeitadas as medidas de conservação para que mantenham as suas propriedades.

Segundo o Decreto-Lei n.º 560/99 sobre a rotulagem, a indicação da data de durabilidade mínima não é obrigatória em alguns casos, como fruta e produtos hortícolas, vinhos, bebidas com teor de álcool igual ou superior a dez por cento, padaria e pastelaria, vinagre, sal de cozinha, açúcar ou pastilhas elásticas.

Para chegar à data de validade descrita nos produtos, eles passam pelos chamados ensaios de tempo de vida dos produtos alimentares.

“São realizadas análises microbiológicas para ver até quando o produto aguenta sem micróbios e bactérias, e testes organolépticos, para ver as alterações de cor, textura e sabor”, explica à NiT Carla Alves, licenciada em nutrição e especialista em higiene alimentar.

Na opinião da especialista, “muito tem a ver com a rotação do produto”. “Há desperdício alimentar porque muitos produtos ainda estão bons muito depois da validade. O açúcar ou enlatados, por exemplo, não estragam se guardados como deve ser. Há interesse financeiro, senão os enlatados ficavam nas prateleiras imenso tempo”.

Como pode reduzir o desperdício alimentar

A APED sugere algumas dicas para conservar durante mais tempo os alimentos em sua casa, e ajudar a diminuir o desperdício. Em primeiro lugar, deverá organizar a despensa e o frigorífico, colocando o que acaba primeiro à frente, verificar regularmente, e planear consumir antes do final do prazo.

As temperaturas de conservação devem ser rigorosamente cumpridas e os produtos frescos devem ser sempre conservados no frigorífico. A carne e o peixe frescos, que não são consumidos no dia da compra, devem ser congelados. Além disso, para estender a vida útil dos alimentos além da data de validade indicada, congele antes do fim desta data. Para descongelar produtos alimentares, deve fazê-lo no frigorífico. E após o seu descongelamento, devem ser consumidos em 24 horas.

Quando os frutos secos, biscoitos ou bolachas ficam moles, pode levá-los ao forno por breves minutos. À medida que arrefecem, voltam ao seu estado normal. Há também vários alimentos que pode congelar, para evitar o seu desperdício.

Os citrinos, por exemplo, podem ser fatiados e congelados, para depois serem usados diretamente em bebidas frias (o mesmo com uvas e frutos vermelhos). Pode também ferver batatas e congelá-las — depois, quando as quiser usar, basta descongelar e assá-las. Pode ainda congelar pimentos, para depois picá-los ainda congelados; queijo ralado; sobras de carne; ou pão.