Saúde

Maria, a menina de sete anos com cancro que venceu o coronavírus

A pequena futebolista tornou-se um símbolo de esperança e sobrevivência no seu país. Conheça esta história.
Sonha ser futebolista profissional.

Todos os dias chegam notícias de várias partes do mundo sobre a quantidade de mortes provocadas pelo novo coronavírus. Porém, no meio dos números negativos, sobressaem histórias que nos fazem sentir que há esperança. O percurso de Maria Caamaño Múñez é uma delas.

Falamos de uma menina de sete anos, natural de Salamanca, em Espanha, que é a prova de que não desistir é o mote para vencer qualquer batalha — até aquelas que parecem quase impossíveis de ultrapassar.

A página de Instagram de Maria, a “Princesa Guerreira do Futebol”, como é mais conhecida nas redes sociais, foi criada pelos pais em outubro de 2019, quando descobriram que a menina tinha o sarcoma de Ewing, um tumor maligno e raro que pode afetar todos os ossos do corpo. Porém, mais tarde, a 26 de março, a conta passou a receber mais um adversário: a Covid-19.

Num vídeo publicado nesse dia, a criança de sete anos surge a explicar que estava infetada com o novo coronavírus. “Bem, as boas notícias sobre a redução de Ewing não vêm sozinhas e agora, em vez de ir para casa hoje, teremos que ficar mais uma temporada, a lutar noutro jogo, porque apresento sintomas positivos para a Covid-19. Vou passar a quarentena com a minha mãe no hospital”, pode ler-se na descrição do vídeo, que tem mais de 19 mil visualizações e 500 comentários.

Devido à doença que já tinha, foi considerada uma paciente de risco. Porém, como é possível ver ao longo da sua rede social, enfrentou os dois problemas sempre com um sorriso.

“Hoje completa seis meses desde que estou neste hospital e que se tem convertido na nossa casa. Ewing vai perdendo e pediu ajuda à Covid-19, mas o que não sabem é que Deus dá as piores batalhas aos seus melhores guerreiros”, disse a 28 de março.

No dia seguinte, também deixou uma mensagem para todos os seus seguidores: “Hoje é o quarto dia desde que me disseram que era positiva assintomática [para o novo coronavírus] e os dias têm sido bons. Aqui estou com a minha mãe, não temos tempo para ficar entediadas. O importante é a atitude.”

“Estamos a viver a situação de uma maneira muito familiar. Graças a Deus, temos uma ótima família. Se a situação de Maria já é difícil, com o coronavírus ainda é mais. Ela tinha reduzido bastante o tumor e, no dia seguinte, eles disseram-nos que [o resultado ao Covid-19] era positivo”, disse ao “Salamanca24horas”, numa entrevista publicada a 10 de abril, o pai de Maria, Juan Caamaño. 

Revelou, também, que a criança de sete anos sempre teve o pensamento de que tudo ia correr bem e que isso surpreendeu a família, inclusive os pais, assim como os médicos. “Ela diz que se não puder voltar a jogar, vai tornar-se treinadora ou médica. Ela sabe que precisa lutar, mas que com o tempo tudo voltará a ser como antes”, disse.

Juan passou vários dias em casa, junto da sua filha mais velha, Lucía, enquanto a mulher, María, estava com a princesa guerreira do futebol no hospital. “A minha filha mais velha e eu estávamos em casa porque tivemos que ficar em isolamento durante 15 dias.”

Porém, o dia 8 de abril mudou as suas vidas. A pequena Maria venceu uma das suas batalhas: aquela que travava contra a Covid-19. “Quando a minha mulher ligou para me dizer que a havia superado, foi uma imensa alegria”, contou à mesma publicação.

O momento também ficou registado na página de Instagram, com uma descrição à altura da celebração: “Quanto maior a dificuldade, mais ganhas. Ewing estás sozinho”, escreveu a futebolista.

Falta agora vencer mais uma luta, enquanto inspira milhares de pessoas em Espanha e noutras partes do mundo.

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